sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Asa-branca, Pombão, Pomba-do-ar- Picazuro Pigeon (Patagioenas picazuro).

Até mesmo a "Asa-branca" bateu asas do sertão...
Embelezando o cenário do cemitério São João Batista, a "asa-branca" caminha sobre o fio mostrando o colorido das penas e observando a lente da minha câmera. Pra mim, ela é uma das mais bonitas e possui um canto majestoso. Por ser um pouco mais arisca do que muitas outras pombas, dificilmente é vista pousada no chão em meio urbano, daí chamada em minha região de "Pomba-do-ar".
Rio Claro, Agosto de 2008.
Fonte: 500 pássaros brasileiros
Comprimento: 34 cm. Uma das maiores espécies da família no País. Presente do Nordeste ao Rio Grande do Sul, e também na Bolívia, Argentina e Paraguai. Comum em campos com árvores, áreas urbanas, cerrados, caatingas e florestas de galeria. Freqüentemente encontrada no solo. Após o período reprodutivo associa-se em bandos, executando migrações. Faz ninho em árvores ou no solo. Põe 2 ovos brancos, os quais são encubados entre 16 e 19 dias. Conhecida também como pomba-trocal, pomba-trocaz, pomba-carijó (Rio Grande do Sul), pomba-verdadeira, pomba-asa-branca e pombão.



"Cafezinho", "Ferrão", "Jaçanã", "Piaçoca", "Wattled Jacana"(Jacana jacana)

Jaçanã e filhote
Jaçanã e filhote
Jacana jacana

Jaçanã
Jaçanã
jaçanãs
Muito comum nas lagoas e alagados com bordas vegetadas aqui da região e de praticamente todas as regiões país, o jacanã ou ferrão como aqui é chamado devido ao esporão contido nas asas, vive aos pares ou em bandos quando não estão no período reprodutivo. A fêmea é maior do que o macho. Em alguns locais vários machos acompanham a fêmea e são incumbidos de chocar e cuidar dos filhotes, fazem isso expulsando a fêmea dos ninhos construídos em capinzais em meio a vegetação aquática flutuante. Aproximadamente 28 dias depois de chocados, nascem geralmente 4 filhotes que logo já estão caminhando sobre as vegetações em busca de alimentos. Alimentam-se de insetos, vermes, caramujos e pequenos peixes encontrados em meio a vegetação. Os filhotes possuem uma coloração diferenciada dos pais, até parecendo de outra espécie, com a barriga branca, as costas pardas e a cabeça escura com uma faixa lateral branca, os pés grandes com dedos finos facilitam o caminhar sobre as vegetações sem nenhum esforço. Quando ameaçados os machos fogem caminhando com os filhotes sob as asas pelas vegetações aquáticas. Embora sociáveis, as fêmeas são mais agressivas e emitem um canto parecido com risadas, abrindo as asas e mostrando os esporões para intimidar outras jaçanãs invasoras, geralmente ocorrendo lutas corporais.

A última foto foi tirada no Horto Florestal de Rio Claro, agora Floresta Estadual Navarro de Andrade em Agosto de 2008 e as demais em Águas de São Pedro em Outubro de 2009.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ariramba-de-cauda-ruiva - Rufous-tailed Jacamar (Galbula ruficauda)

Ariramba-de-cauda-ruiva - Rufous-tailed Jacamar (Galbula ruficauda)

Fotografado em Julho de 2008 no antigo matadouro de Rio Claro.

Foi fácil fotografá-lo, pois estava parado nesse galho e ficou lá por muitos minutos me observando. Pude fazer várias fotos que ele não se incomodou com a minha presença. Depois de um tempo, saiu voando em alta velocidade mata adentro e sumiu.
Um belo exemplar de macho, estava solitário, apenas em descanso e fazendo a limpeza das penas.

Também chamado de "Bico-de-agulha", "Fura-barreira", "Beija-flor-da-mata-virgem"(Galbula ruficauda)



À primeira vista, parece um grande beija-flor, devido tanto ao seu bico longo e fino, quanto à coloração verde-amarelada iridescente de grande parte da plumagem (foto - semelhança responsável por um dos nomes comuns). Pousa em galhos e cipós expostos, desde 1 metro do chão até 4 metros de altura. Esses poleiros são usados seguidamente como pontos de espreita das presas e locais de alimentação. Uma vez localizados, facilitam o encontro dessa ave espetacular, representante de uma família exclusiva das Américas.
Caçam exclusivamente insetos em vôo, com grande destreza e velocidade para apanhar presas desde o tamanho de uma pequena abelha sem ferrão (meliponídeos) até libélulas e mariposas. Após capturarem o inseto, voltam ao ponto de partida e batem-no repetidamente contra o poleiro, retirando asas e quebrando a carapaça externa, o que irá facilitar a ingestão. Logo após processarem uma presa, voltam a prestar atenção aos movimentos no entorno, com rápidos movimentos de cabeça sublinhados pelo longo bico.
Nos machos adultos (foto), a garganta é branca, enquanto na fêmea e nos machos juvenis ela é ferrugínea. Vivem em casais o ano inteiro, com os filhotes sendo alimentados pelos pais por algumas semanas após sairem dos ninhos. Cavam galerias estreitas e compridas nas barrancas de rios, em cupinzeiros nas árvores ou nos torrões de terra presos nas raízes de grandes árvores tombadas (o nome fura-barreira nasceu dessa característica). Na base da entrada da galeria, é possível ver as pequenas depressões laterais feitas pelos pés das aves chegando e partindo. Macho e fêmea chocam até 4 ovos por ninhada.
Além das cores e hábitos, outra característica especial dessa espécie é o canto. O chamado mais freqüente é como uma risada aguda, iniciando-se espaçada e acelerando no final, ficando cada vez mais aguda. Um membro do casal responde ao outro seguidamente. Pelo timbre, imagina-se que seja uma ave menor produzindo-o.
Habita a mata seca, cambarazais, cerradões e matas ciliares da RPPN. Pode ser encontrado em áreas semi-urbanizadas, como ao redor do hotel em Porto Cercado. Ativo durante todo o dia, mesmo nas horas mais quentes, é sempre inesquecível vê-la sob a luz forte do sol pantaneiro. Ocorre em todo o Pantanal, nas áreas florestadas e secas, além de boa parte do Brasil, nos ambientes mais adensados, especialmente em suas bordas e clareiras.

Fonte: Aves do Pantanal

"Pomba-de-bando"( Zenaida auriculata)

Pomba-de-bandoQuem conhece pouco sobre pássaros, geralmente me pergunta:
- Nossa! Um casal de pombinhas e um filhote!
Pensam que o maior é o macho, a outra menor é a fêmea e o pequeno é o filhote, mas na verdade é a fêmea e dois filhotes.
O filhote maior é um macho que nasceu primeiro, come muito mais e cresce mais rápido.
Geralmente as Pombas-de-bando fazem um ninho simples em árvores, ranchos embaixo de coberturas, janelas de prédios nos primeiros andares, botam dois ovos brancos, onde o primeiro filhote cresce mais e muitas vezes joga até o outro filhote para fora do ninho em disputa por espaço e comida, além do vento. Pelo que observei, os maiores são sempre machos, mas acredito não ser sempre nessa ordem.
No meio natural, vivem em capoeiras comendo sementes de mato em chão quente, bordas de florestas, cerrados, mas é muito comum vê-las no meio urbano como praças, em frente de agropecuárias, nos quintais, ruas... Se alimentam de sementes, quirera, migalhas de pão, farelos.
Vivem geralmente aos casais ou em bandos, fazem revoadas quando ameaçadas e muitas vezes correm pelo chão em silêncio quando estão em capoeiras.
Com o dorso pardo, cabeça com duas faixas negras laterais, e manchas negras nas asas. Em certos períodos representa uma importante fonte de alimentação para populações locais da região Nordeste do Brasil. Além do tamanho, outra característica capaz de identificá-la são as duas listras negras e pequenas atrás dos olhos, formando como se fossem orelhas (origem do nome latino auriculata = com orelhas). Os olhos são envoltos por uma pele azulada. Nas asas, as bolas negras também são marcantes. Voa muito rápido, com modificações de altura e em ziguezagues, diferente das demais pombas. Essa espécie de pomba chega a medir até 25 cm de comprimento. De tamanho intermediário entre uma rolinha e um pombo, só pode ser confundida com as juritis ( gênero Leptotila ), mas ao contrario destas não ocorre em florestas e bosques, sendo estritamente campestre.
Por muito tempo foram caçadas pelo homem, pois eram servidas em canjas, assadas ou fritas, mas como se adaptaram à vida urbana, estavam sujeitas à doenças e então deixaram de serem servidas como alimentos, exceto nos sertões em áreas mais pobres.
Também é conhecida pelos nomes de arribaçã, arribação, bairari, cardigueira, cardinheira, guaçuroba-pequena, juriti-carregadeira, pairari, pararé, parari, pomba-amargosinha, pomba-de-arribação, pomba-de-bando, pomba-do-meio, pomba-do-sertão, pomba-parari, pomba-pararu, rabaçã, rabação, rebaçã, ribaçã e ribação, rolinha.

Referências: Aves do Pantanal e WikiAves

Eu fotografei esses três nas estruturas do "Supermercado Compre Bem" em Rio Claro em Junho de 2008.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quiriquiri - American Kestrel (Falco sparverius)


Quiriquiri - American Kestrel (Falco sparverius)

Umas semanas antes dessa foto, eu sofri um acidente de moto e tive que ficar de muletas por um tempo. Meu amigo Jofrei já meio cansado de me ver de molho, me convidou para ir na chácara da mãe dele em São Pedro. Eu de muletas e claro, a câmera sempre preparada, aceitei o convite e fomos passar um final de semana prolongado naquele belíssimo lugar. Chegando lá, fiquei atento aos sons de pássaros aos arredores, mas só foi na manhã do dia seguinte que comecei a busca. Antes disso, eu estava na varanda da casa distraído quando percebi que a mais ou menos cem metros pousara algo com características rapineiras. Então peguei as armas (a câmera e as muletas) e fui para caçada!!! Olhei para o poste de madeira e vi o QUIRI-QUIRI!!! Era uma manhã de sol, sem nuvens, ótima para fotografia, mas demorei "uma hora" para me aproximar, pois era a minha primeira experiência fotográfica com muletas que posteriormente serviram até de apoio para a máquina em algumas fotos, mas enfim, a demora fez com que o quiri-quiri fosse embora. Ele bateu asas e sumiu naquela imensidão azul dos campos abertos, mas para a minha surpresa, logo em seguida voltaram dois, um belo casal que pousava no mesmo lugar, um ponto estratégico para a observação de presas. Caminhei bem devagar e um deles saiu voando, então não perdi mais tempo e fotografei de longe mesmo, pois não queria perder outra chance.
A foto até que saiu boa, apesar da distância que eu estava do foco.
Nos dias seguintes eles voltaram logo cedo e assim foi por três dias. Faziam vôos rápidos e circulares, pousando sempre no mesmo lugar, mas não consegui observar nenhuma presa capturada.
Fotografei-os outras vezes, mas essa foto foi a primeira!

Um pouco mais sobre os Quiri-quiris...

O quiriquiri é o menor dos falcões brasileiros. Ocupa áreas urbanas, margens de estradas e ambientes abertos, produzidos pela atividade humana. Em areas naturais seu principal habitat é campos e cerrados, evitando as matas, cerradões e formações de vegetação adensada. Caça a partir de poleiros fixos, naturais ou artificiais (como os fios ao longo da estrada). Além de apanhar a presa a partir do poleiro, também costuma “peneirar” (vôo no mesmo lugar como no gavião-peneira). Alimenta-se de lagartos e grandes insetos; ocasionalmente, apanha roedores, pequenas cobras e aves. A presa é capturada e morta no solo, sendo carregada depois para o poleiro.
Assim como no Circus buffoni o quiriquiri também apresenta dimorfismo sexual na plumagem, o macho é cinza azulado no alto da cabeça e asa, enquanto as costas e a cauda são marrom avermelhado, finamente estriadas de negro. Uma larga faixa negra sub terminal na cauda e ponta branca. As partes inferiores são brancas, com pontos negros no peito e barrigas, mais densos nos lados do corpo. Possui um desenho de lágrima, negra, abaixo do olho; uma outra linha vertical no lado da cabeça e um ponto negro na nuca. A fêmea têm as costas e asas marrom avermelhada, com as estrias negras finas, sem o cinza azulado do dorso do macho ou a faixa negra subterminal na cauda. As partes inferiores são de tom marrom alaranjado claro, com riscos finos, verticais e negros, sem o padrão de pontos do macho. O desenho e cores da cabeça são iguais. Os filhotes já saem do ninho com a plumagem do sexo correspondente.
Geralmente fazem ninhos em ocos naturais ou artificiais, colocando até 4 ovos. com periodo de incubação de 27 a 32 dias, os filhotes voam entre 29 e 31 dias após o nascimento. Bastante agressivo contra invasores, os pais fazem vôos rasantes sobre o intruso, os filhotes tem como técnica de defesa no ninho se virar de barriga para cima com as asas abertas com as garras em posição de ataque para intimidar o invasor. Além disso qualquer outra ave de rapina maior que passar por seu território o quiriquiri persegue dando voos rasantes nas costas do invasor. Seu nome "quiriquiri" é onomatopéia de sua vocalização que repete várias vezes, Voz: "gli-gli-gli", i-i, i, i, i".
Fonte: Aves de Rapina Brasil
Fotografia: São Pedro, julho de 2008.

Filhotes de Canário-da-terra-verdadeiro - Saffron Finch (Sicalis flaveola)

Filhotes de Canário-da-terra-verdadeiro 
 Saffron Finch (Sicalis flaveola)


Sem dúvida esse foi um grande presente pra mim!!!

Eu estava no sítio cachoeirinha quando a senhora dona da casa me chamou para vê-los em um ninho dentro de um velho mourão de cerca. AHHHHH!!!! Não pude nem se quer tocar no mourão, fiquei pendurado no arame farpado com a câmera na mão e fui esticando o meu pescoço até ver essas maravilhas, Três belos filhotes quase prontos para sair do ninho. Se eu pudesse, ficaria ali perto até o dia do primeiro voo, mas valeu muito!!!
Sítio Cachoeirinha, Rio Claro/Ipeúna - Junho de 2008.

Gavião-Carijó - Roadside Hawk (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó - Roadside Hawk
 (Rupornis magnirostris)

Um belo filhotão ainda sem a coloração definitiva. Estava no alto da palmeira, precisei subir as escadas do centro cultural para fotografá-lo.

O Gavião carijó se distribui desde o México até a Argentina. Está presente em todo o Brasil, sendo uma espécie bastante comum e bem adaptada as ações antrópicas, sendo encontrado facilmente nos centros urbanos. Habita campos com árvores, bordas de florestas, capoeiras, margens de rios e lagos e áreas urbanas. Vive solitário ou aos pares. Sobrevoa cidades em vôos circular. Este gavião se alimenta de Artrópodes, pequenos lagartos, cobras e pássaros e roedores, Captura também morcegos quando estes encontram-se pousados, durante o dia. Caça a partir de um poleiro. Põe 1 ou 2 ovos brancos, pontilhados ou levemente estriados de marrom, no período de incubação a fêmea é alimentada pelo macho. Na época de reprodução defende sua prole contra qualquer invasor que se aproximar do ninho, podendo até intimar e dar voos rasantes como já foi visto nos indivíduos de Maringá-PR. Conhecido também como gavião-marrom, indaié, gavião-pega-pinto e gavião-indaié.
O nome popular "carijó" refere-se ao padrão de estrias encontrado no peito. O nome popular "gavião-pega-pinto" se deve ao hábito das galinhas darem alarme de sua presença, ao sobrevoar um terreiro, embora essa reação ocorra com qualquer outro gavião ou ave com silhueta idêntica em vôo. Apresenta uma grande variação de cores na plumagem, conforme a região do país. Outra característica de plumagem comum a todas as populações é o tom avermelhado das longas penas da asa. Pouco visível quando pousado, ao voar destaca-se essa cor da asa, mesmo quando está sobrevoando alto. Sua silhueta, a grande altura, é caracterizada pelas asas relativamente curtas e arredondadas, onde as penas da ponta estão levemente separadas entre si, além da cauda longa e estreita. Macho e fêmea são idênticos, exceto pelo maior tamanho da macho da fêmea. Quando saem do ninho, as aves juvenis possuem uma plumagem diferente da dos adultos, isso ocorre com a maioria das espécies de aves de rapina. Ele é extremamente territorial, anuncia sua presença circulando em vôos altos, aproveitando as correntes de ar quente. Nessas ocasiões, mais comuns no período reprodutivo, emite o grito territorial, uma espécie de risada longa e ascendente, repetida várias vezes. Quando o casal está em voo de patrulha territorial, um responde ao outro durante vários minutos. Além desse chamado, possui um grito de alerta característico, emitido assim que qualquer intruso chega ao território ("pinhée").
Fonte: Aves de rapina Brasil
Fotografado em maio de 2008 no "Lago azul" em Rio Claro.

Bem-te-vi - Great Kiskadee (Pitangus sulphuratus)

Bem-te-vi - Great Kiskadee (Pitangus sulphuratus)


O bem-te-vi é um dos pássaros mais populares em todo o Brasil, sendo comumente observado em jardins, quintais, campos e bordas de florestas. Possui vários chamados e um canto onomatopeico (bem te vi), daí o nome. Se alimenta de insetos, sementes, frutas e até algumas vezes filhotes pequenos de outros pássaros, anfíbios e peixes pequenos. Nos quintais comem até migalhas de pão. Fazem ninhos grandes em árvores ou até mesmo em postes elétricos, junto aos transformadores. Os filhotes são idênticos aos pais, gritando desde cedo. São pássaros agressivos e barulhentos, cantando o dia todo, mais frequente de manhã e a tarde.

Esse bem-te-vi estava observando pequenos peixes no "Lago azul" Rio Claro -SP. Maio de 2008.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O vôo da liberdade!


video


Quando eu filmei esses canários-da-terra, meu primeiro pensamento foi de registrá-los apenas, mas no dia em que estava filmando os donos do sítio pediram uma cópia para assistirem com a família. Então resolvi fazer uma edição básica com título e música de fundo. Procurei deixar todo o som que estava no original, como as pessoas falando no fundo, crianças, num domingo comum no sítio e claro os pássaros. Comecei a editá-lo e estava pensando em uma música de fundo, então ouvi música "A lenda do caboclo" do grande mestre Villa-Lobos interpretada pelos "irmãos Assad". Coloquei a música de fundo e quando fui assistir, aconteceu a surpresa, no momento da mudança de expressão da música, o ponto mais forte, os canários voaram!!! Achei maravilhoso, pois não havia previsto nada, acredito que foi puro espírito mesmo.


Uns dias depois eu coloquei o vídeo no YouTube e logo depois eu recebi elogios, em alguns meses o vídeo recebeu 5 estrelas e foi assistido em alguns países, sendo no total 3002 exibições.


Foi quando a "WMG" decidiu retirá-lo do ar porque eu estava violando os direitos autorais do mestre cuja música deveria ser hoje de domínio público. Enfim, estou colocando ela aqui, mas assistam rápido, porque não sei quanto tempo vai ficar no ar.


Ps. Eu havia me esquecido da bela rolinha que participou da filmagem.

Filmagem feita no sítio "Cachoeirinha" Rio Claro/Ipeúna no dia 20 de Abril de 2008.


Biguá - Neotropic Cormorant (Phalacrocorax brasilianus)

Biguá - Neotropic Cormorant (Phalacrocorax brasilianus)

Grande ave aquática, adulto totalmente escuro, com o juvenil pardo. No período reprodutivo, os adultos apresentam os cantos do bico delimitado por penas brancas, bem como uma mecha de penas da mesma cor atrás do olho. Os olhos são verde claros com raias quase brancas.
É um parente distante dos pelicanos. Alimenta-se exclusivamente de peixes. Sua forma de pescaria é especial. Nada ativamente atrás dos peixes sob a água e, para facilitar seu deslocamento subaquático, as penas perdem parte da sua impermeabilidade, molhando-se. Dessa forma, para poder voar depois dos longos mergulhos, ficam pousados nas margens ou em árvores próximas à água, com as asas abertas ao sol. Nos seus vôos pós-mergulhos longos, precedem seu deslocamento até locais expostos com um comportamento curioso.
Ficam nadando na superfície e batendo as asas seguidamente, para secá-las um pouco e ganhar sustentação.
Esses vôos de saída da água são lentos e difíceis, ao contrário do que ocorre quando estão com as penas secas. Normalmente, deslocam-se em várias altitudes, desde próximo à água até grandes alturas. Nos vôos matinais para chegar a locais de pesca, costumam voar em bandos com formato de V, semelhantes a patos, sendo muitas vezes confundidos com esses. A observação detalhada logo separa os dois, devido ao ritmo de batimento de asas e formato geral da ave, onde a cauda é mais longa proporcionalmente ao corpo do que nos patos.
Seu período reprodutivo no Pantanal inicia-se ainda no período de cheias, quando ocupam os ninhais coletivos e produzem um alarido semelhante ao de porcos. Ano após ano reocupam áreas tradicionais e na região da reserva existem dois ninhais ativos. O maior está na baía da Moranguinha. Ocupados a partir do mês de fevereiro como locais de pouso noturno, em alguns anos começam a nidificar em seguida. Uma de suas áreas prediletas de alimentação é o Riozinho, onde podem ser vistas linhas de vôo contínuas desde os ninhais até baixarem nas águas, para uma pesca individual ou coletiva. No final de julho, é possível encontrar concentrações de centenas de biguás no Riozinho, alguns praticando a pesca coletiva. Nessa modalidade de pesca, o bando de biguás vai nadando na superfície de maneira coordenada e, ocasionalmente, mergulham algumas aves. Vão, pouco a pouco, encurralando um cardume junto à margem ou em um braço de corixo mais raso, quando todos mergulham juntos e pescam seus peixes.
Depois de setembro, reduzem seus números na região da reserva, embora exemplares isolados possam ser observados ao longo de todo o ano no local. Muito freqüente no rio Cuiabá, corixos e baías associados a esse sistema, é menos comum no rio São Lourenço, provavelmente devido à falta de baías e corixos desse último na área da reserva. Também as águas do São Lourenço são geralmente mais turvas, em função dos sedimentos vindos da região de Rondonópolis, o que pode dificultar a visão dos biguás sob a água.
Fonte: Aves do Pantanal.
Foto tirada no "Lago Azul" no final de Maio de 2008.

Savacu - Black-crowned Night-Heron (Nycticorax nycticorax)


Savacu - Black-crowned Night-Heron 
(Nycticorax nycticorax)

É muito comum observar um savacu em meio as garças em seus ninhais em bordas de rios e lagoas. Eles fazem ninhos em partes baixas e médias das árvores e chocam geralmente 4 ovos, onde os filhotes crescem rapidamente e logo abandonam o ninho. Muitas vezes cometem atos de canibalismo, onde os filhotes mais velhos comem os menores, ou os adultos comem filhotes de outros ninhos e até mesmo de outra espécie. Os sovacos procuram alimentos ao cair da tarde e a noite, comem pequenos peixes, anfíbios, vermes encontrados nas margens dos rios ou lagoas.
Ficam tempo descansando em galhos baixos de arbustos à beira rio, daí o nome socó-dorminhoco. Possui um chamado que originou outro dos teus nomes, o "quá". Os adultos possuem uma coloração cinza clara dominante e no período reprodutivo desenvolvem duas penas longas e brancas na nuca enquanto os filhotes são pardos e bem rajados.
Foto tirada no "lago azul" - Rio Claro - SP no final de Maio de 2008.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Socozinho - Striated Heron (Butorides striatus)

Socozinho - Striated Heron (Butorides striatus)


Possuem hábitos parecidos com as garças. Vivem à beiras de rios, lagoas, camuflados nos capinzais e em galhos baixos. Se alimentam de pequenos peixes, anfíbios, lesmas e vermes. Geralmente vivem solitários o ano todo e não é comum serem vistos em ninhais em período de reprodução como as garças. É um do menores socós observados, caminhando abaixados nas beiras das lagoas em busca de alimentos.

Esse eu fotografei no "Lago Azul" de Rio Claro-SP. Não foi difícil fazer a foto porque ele está mais acostumado com as pessoas e demorou para voar. Final de Maio de 2008.

Periquito-de-encontro-amarelo - Yellow-chevroned Parakeet (Brotogeris chiriri)

Periquito-de-encontro-amarelo - Yellow-chevroned Parakeet (Brotogeris chiriri)


Como outras espécies de periquitos, vivem aos pares ou em grupos saindo em revoada e pousando em árvores altas e muitas vezes de médio porte e raramente arbustos pequenos. Se alimentam de frutos, sementes, grãos e brotos de plantas em bordas de florestas e campos secos. Se comunicam por chamados estridentes e fazem carinhos e limpezas, uns aos outros mesmo sendo do mesmo sexo. Fazem seus ninhos em buracos de árvores, ninhos abandonados de pica-paus e João-de-barros. São um pouco maiores que os tuins e diferenciam também pela coloração amarela nas asas enquanto os tuins são azuis. Ficam camuflados entre as folhagens das árvores, quase invisíveis, muitas vezes só são vistos em revoadas.

Foto tirada na estrada de Ajapi no final de maio de 2008.

Anu-preto - Smooth-billed Ani (Crotophaga ani)


Esse Anu estava perto do Ribeirão Claro, atrás do bairro Conduta, próximo ao horto florestal, num campo aberto com gados. Eram um grupo de mais ou menos 15 indivíduos e tinha um grande ninho perto. Eles estavam pulando de galho em galho, pulavam no chão em busca de vermes e carrapatos. Nesse dia foi muito engraçado, pois eu estava em busca do pássaro Nei-nei quando aproveitei para tirar fotos dos anus, fiquei bem abaixado no mato e peguei uma bela carga de carrapatinhos, fiquei todo mordido e coçando por uma semana. Reparem que ele estava cruzando os dedos, parecendo fazer figa para manter-me afastado. Final de Maio de 2008 em uma tarde ensolarada.

Fonte: Aves do Pantanal:
Uma das aves mais conhecidas em todo o Brasil, aproveitou-se das alterações de ambiente decorrentes das atividades agropecuárias para expandir-se. Habitante original de campos e áreas abertas, o desmatamento e plantio de pastos ou lavouras criou ambientes logo colonizados pelo anu. Onde não é perseguido, estabelece-se nos parques e áreas gramadas de cidades, mesmo nas maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Vive em grupos de até 20 indivíduos, os quais patrulham constantemente um território de alimentação e reprodução, evitando a entrada de outros anus. Caçam insetos, aranhas e pequenos vertebrados no chão ou no meio de arbustos. Deslocam-se em conjunto na vegetação ou caminhando no solo. Qualquer presa espantada pelo bando é logo capturada pela ave mais próxima. Aproveitam-se do gado pastando e levantando presas, caminhando ao lado de reses ou, algumas vezes, montando sobre elas. São atraídos para os incêndios nos campos, apanhando animais moribundos. Comem, em menor escala, frutas e sementes.
Devido ao alto grau de socialização dos indivíduos, possuem uma série de chamados e pios de contato. Quando o grupo está alimentando-se, um ou mais indivíduos ficam de sentinela e dão um chamado de alarme, muito característico, longo e melodioso. O bando, imediatamente, fica alerta e voa para um arbusto ou árvore, se estiver no chão.
A reprodução também é feita em um ninho comunitário, onde todas as fêmeas do bando colocam seus ovos, chocam e cuidam dos filhotes. O ninho é uma maçaroca de galhos e folhas, com formato de cone invertido ou uma bola. Durante o choco, o grupo continua acrescentando material no ninho. Os ovos são verde azulados, com raias brancas. Os primeiros a serem postos ficam no fundo do ninho e não chegam a chocar, por não receberem aquecimento. A postura pode chegar a 20 ovos, com o choco durando 15 dias. Os filhotes nascem sem penas, mas voam a partir de 7 dias de vida em uma emergência. Cada ninhada sai em menos de um mês após a postura e, muitas vezes, o bando recomeça a reprodução logo depois.
Graças a essa estratégia, são muito prolíficos e aumentam rapidamente seus números. No Pantanal, a introdução do gado e sua expansão em meados do século XIX auxiliou no aumento de sua população. Na RPPN, a ausência do gado permite observar essa espécie nas condições existentes antes do pastoreio. Ocupa todos os ambientes abertos da reserva, desde as praias dos rios Cuiabá e São Lourenço até os campos da parte central. Acompanha capivaras pastando, hábito que adaptou ao gado com a chegada da colonização de base européia.
À distância, sua plumagem toda negra não chama muita atenção. O bico é poderoso, negro, com uma crista na parte superior do mesmo. Os filhotes saem do ninho como os adultos, sendo menores em tamanho. O vôo é lento e desajeitado, com a longa cauda destacando-se. Executa uma série de batidas de asas, entremeadas de planeios.

sábado, 24 de janeiro de 2009

"Anu-branco", "Guira Cuckoo", (Guira guira)

Como o anu, outra espécie que aproveitou as alterações humanas dos ambientes florestais para se expandir. Também é encontrado no interior das cidades, caçando insetos, aranhas e pequenos vertebrados nos gramados e áreas abertas. No Pantanal, ocorre em todos os ambientes abertos, embora seja menos encontrado nas margens dos rios e alagados do que o anu.
Sociável, forma grupos de até 20 aves, as quais afastam os outros anus-brancos de seu território. Possui um chamado territorial longo, melodioso, em que os pios vão sendo dado em intervalos cada vez menores e ficam mais curtos. Esse chamado é tanto dado em vôo, como pousado. O repertório de gritos de contato e alarme é vasto. Como no anu, enquanto o grupo se alimenta no chão, algumas aves ficam em pontos mais altos, de sentinela. Caçam insetos e pequenos vertebrados, saqueando ninhos de outras aves. O alarme típico é um matraquear rápido, com todo o bando levantando vôo imediatamente.
A longa cauda vai para a cima e para frente, quando pousa em um galho, desequilibrando a ave. Voa com batidas rápidas e planeios entremeados, atravessando áreas abertas ou rios.
O branco domina a plumagem, mas não é a única cor. A cabeça e parte das costas são alaranjadas, com finas riscas negras, especialmente no peito. Asas escuras, bem como cauda negra com bolas brancas na ponta de cada pena. As penas da cabeça ficam sempre eriçadas, dando um aspecto despenteado à ave. O bico é longo e fino, amarelo ou alaranjado, sem as cristas dos outros anus. Nas manhãs frias do meio do ano, costumam ficar pousados em um galho, de costas para o sol nascente, entreabrindo as asas e eriçando as penas brancas do centro das costas. O bando pousa lado a lado no mesmo galho e toma longos banhos de sol.
As estratégias de reprodução são variadas, com casais abandonando provisoriamente o grupo para construir ninhos e chocar, ou somente um casal colocando os ovos e o grupo chocando, bem como várias fêmeas colocando os ovos no mesmo ninho. Ocasionalmente, ovos são postos em ninhos do anu, um comportamento de parasitismo reprodutivo.
FONTE: www.avesdopantanal.com.br

Foto tirada próximo a Ajapi, ele estava em um monte de esterco bovino comendo pequenos vermes. Maio de 2008.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Beija-flor-do-peito-azul", "Sapphire-spangled Emerald", (Amazilia lactea)


Augusto Ruschi.
A brincadeira de menino que virou trabalho sério.
Augusto Ruschi nasceu em 13 de dezembro de 1915, em Santa Teresa, uma pequena cidade de colonização italiana nas montanhas do Espírito Santo. Foi o oitavo dos doze filhos do casal de imigrantes Giuseppe Ruschi e Maria Roatti. Seu pai era agrônomo, trabalhava com topografia e construção; veio para o Brasil em missão do Governo Italiano para auxiliar no desenvolvimento das colônias italianas.
Sua família tem mais de 2 mil anos de tradição no trabalho com ciência, no cultivo e estudo de plantas, sendo inclusive o nome da família originário da espécie Ruscus aculeatus ou azevinho do campo. Vários ancestrais, como Giovani Ruschi e Pietro Ruschi foram cientistas na Itália renascentista e participantes do grupo de Michelangelo e Galileo Galilei.
Augusto Ruschi, ainda menino, já apresentava uma grande curiosidade pelas flores que seu pai cultivava na “Chácara Anita”. Começou seus estudos em Santa Teresa, no colégio Ítalo Brasileiro, onde diversas vezes teve a atenção chamada nas aulas, pois brincava constantemente com os insetos que levava em vidrinhos e caixas de fósforos.
Aos 10 anos passou a residir na cidade de Vitória, para estudar no colégio estadual. Sua professora de Ciências e História Natural foi a pesquisadora e historiadora capixaba Maria Estela de Novaes, que percebendo sua paixão pela vida dos insetos, bichos e plantas, tornou-se a grande incentivadora do jovem Ruschi em sua iniciação ao mundo das Ciências.
Muitas vezes, Ruschi foi dado como morto ou louco, pois sumia diversos dias vivendo pelas matas observando, desenhando e colecionando plantas, flores e animais. Os livros aos quais tinha acesso na época iam se tornando insuficientes, alguns até mesmo incorretos, perante seus questionamentos e observações de campo. Como conseqüência, iniciou um intercâmbio com pesquisadores do Museu Nacional e do Jardim Botânico, enviando materiais coletados aos pesquisadores, em troca de bibliografias especializadas.
Em uma ocasião, enviou suas observações sobre uma praga dos laranjais que assolava a lavoura, descrevendo o ciclo de vida do bicho e solicitando maiores informações a respeito do assunto ao Museu Nacional. O responsável por esta área no Museu Nacional era o professor Mello Leitão, grande cientista brasileiro e principal especialista mundial em aracnídeos. O professor passou as informações de Ruschi para Felippo Silvestre, cientista italiano e especialista que estudava formas de combater esta praga que dizimava os laranjais de todo o mundo.
Ruschi havia tido tempo suficiente para montar e observar mais de 500 caixas de lagartas, coisa que os laboratórios não haviam feito. Essas informações foram fundamentais para a solução do problema, pois complementavam uma pesquisa mundial que se desenvolvia sobre o assunto, onde milhões de dólares foram investidos. Desta forma, aos 12 anos, tornou-se conhecido e admirado por alguns cientistas do país.
Despertado pela importante contribuição do jovem Ruschi, o Prof. Mello Leitão resolveu apadrinhá-lo, contribuindo para o seu aperfeiçoamento científico e para o desenvolvimento de suas pesquisas.
Aos dezessete anos, Ruschi começou a trabalhar para o Museu Nacional e Jardim Botânico como coletor de materiais botânicos e zoológicos. Suas pesquisas foram fundamentais para o conhecimento da fauna e da flora da Mata Atlântica.
Cientista, agrônomo, advogado, naturalista, ecologista.
Em 1937, com apenas 22 anos, passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e foi Professor da Universidade Federal do Brasil (atual UFRJ). Neste período, Augusto Ruschi esteve sob orientação direta do Professor Mello Leitão. A metódica e fechada personalidade, aliada ao impecável espírito científico do professor, fazia com que Ruschi dedicasse seu tempo integralmente à Ciência.
Na sua estada no Rio de Janeiro, o jovem cientista tornou-se rapidamente amigo particular do mestre, com o qual frequentemente tinha longas conversas e trocas de informações. Orientado por ele, Ruschi devorava uma bibliografia que rapidamente era absorvida. Sua experiência de campo contestava vários enunciados teóricos da literatura disponível, mas por outro lado, aos colibris, seu maior interesse, muito pouco a ciência havia se dedicado. Sentiu que o trabalho de campo que realizava antes, nas matas virgens do Espírito Santo, era muito mais relevante para a ciência do que o trabalho nos laboratórios. Aproveitou, assim, a convalescença de uma grave doença, para retornar a sua terra natal.
Gutti, como era conhecido, estendia a sua curiosidade e inteligência pelos mais diversos ramos. Naturalista, botânico, ornitólogo, topógrafo, bacharel em Direito, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do Museu Nacional, prestando também serviços ao Ministério da Agricultura, Ministério da Educação e Governo do Estado do Espírito Santo. Nos anos 40, assessorou a Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, desenvolvendo uma política de preservação do meio ambiente. Como resultado deste trabalho, implantou diversas unidades de conservação.
Seu nome foi dado ao mais importante prêmio da Ecologia Nacional - “Medalha Augusto Ruschi” da Academia Brasileira de Ciências (entregue a cada quatro anos) – seu rosto estampou a nota de “500 cruzados” e Engenheiro do Mérito Nacional. Sua vida foi dedicada às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras, com uma visão ecológica preservacionista pioneira que o consagrou mundialmente.
Defensor da ecologia e, principalmente, da humanidade.
Ainda na primeira metade do século XX, Augusto Ruschi realizava excursões pelo Brasil e polemizava com personalidades acadêmicas, políticas e empresariais, levantando questões relevantes sobre a importância de se pensar o homem e a natureza numa relação respeitosa e sustentável. Foi o pioneiro do manejo sustentável das florestas tropicais, da agroecologia, do controle biológico de doenças tropicais e zoonoses e das denúncias sobre o perigo dos agrotóxicos.

Lutou e trabalhou incansavelmente, como poucos na história da humanidade, para que se tomassem medidas de contenção da poluição e da destruição - que ainda perduram - mas que muito depois do alerta do pioneiro passam a ser encaradas como prioridades.
Deixou-nos o Museu de Biologia Professor Mello Leitão; a Estação Biologia Marinha Ruschi; a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza; várias reservas, entre as quais o Parque Nacional do Caparão e um dos maiores acervos de imagens (mais de 50 mil slides) e de informações existentes sobre a floresta Atlântica.
Sua obra escrita é composta de 450 trabalhos e 22 livros. Dentre os livros publicados mais conhecidos estão: Aves do Brasil Volumes I e II, Beija-Flores do Espírito Santo, Beija-Flores do Brasil Volumes I e II, Fitogeografia do Estado Espírito Santo, Orquídeas do Espírito Santo, Agroecologia, entre outros. A Estação Biologia Marinha Ruschi e a Casa Augusto Ruschi são as únicas instituições detentoras dos direitos autorais da obra deste grande cientista brasileiro.
Há muito ainda que se resgatar da obra deste cientista, o principal personagem da defesa ecológica nacional e um dos 1000 grandes homens que construíram o saber e as idéias do século XX.
Beija-flor: a grande paixão.
A grande paixão de Ruschi e seus mais importantes trabalhos científicos foram sobre beija-flores, orquídeas e demais plantas polinizadas por estes pássaros. Dedicou a sua vida ao levantamento de dados científicos desta família de aves, que até então não possuía bibliografia específica. Foi o primeiro no mundo a reproduzi-los em cativeiro e domesticá-los, tornando-se internacionalmente conhecido por estas pesquisas e transformando-se na grande referência mundial sobre beija-flores, deixando a maior obra escrita no mundo sobre o assunto.
Também foi a principal autoridade mundial sobre ecologia da floresta Atlântica, sendo o único cientista no mundo a viver 50 anos no interior da floresta para estudá-la, deixando significativas contribuições em estudos de morcegos, macacos, bromélias, orquídeas e impacto ambiental.
Em 26 de junho de 1949, na mesma data em que há 74 anos italianos haviam colonizado o solo teresense, fundou na “Chácara Anita” o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, para servir de suporte para a política estadual de meio ambiente e para suas pesquisas. Para dar início às atividades científicas do Museu, juntou todos os levantamentos que havia realizado até então e iniciou a publicação de seus trabalhos. Foram editados cerca de 400 números do Boletim do MBML. Lançou duas teses principais: uma sobre as Reservas Ecológicas, assunto pouco comum na época, e outra sobre o Desenvolvimento Agrícola Auto-sustentável em Florestas Tropicais.
Ruschi defendia as Reservas como espaços de preservação que o mundo não poderia prescindir, por se constituírem em reservas genéticas de espécimes da natureza ameaçadas de extinção. Essa tese foi lançada num dos primeiros Congressos Florestais de âmbito internacional, em Roma, no ano de 1951, sendo muito bem recebida nos meios científicos internacionais, que passaram a difundi-la por toda a Europa. Assim, no início dessa década começaram a surgir Reservas Florestais por todo o mundo, uma das mais importantes políticas de preservação do meio ambiente.
Após a Segunda Guerra Mundial veio a necessidade de intensificar a produção de alimentos, com a utilização de adubos químicos e um controle de pragas. Ruschi passou a observar a morte dos pássaros e insetos após a pulverização com agrotóxicos e outros efeitos provenientes do envenenamento da natureza, iniciando a discussão dos efeitos poluidores de agrotóxicos sobre os ecossistemas. Publicou vários trabalhos sobre o assunto, sendo um dos primeiros a denunciar à sociedade os perigos do DDT.
Excursões aos quatro cantos do mundo.
Para suas pesquisas, realizou 259 excursões científicas por todos os lugares do mundo, da Patagônia ao Alasca, registrando todas as suas observações sobre a natureza, os animais e as plantas em publicações repletas de fotografias e slides.
Em suas andanças pelas florestas, Ruschi testemunhava as agressões que estas sofriam. Dizia que se as matas fossem destruídas morreria de tristeza. A indignação dele aumentava à medida que aprofundava o assunto. Enfrentava autoridades, empresas e até a própria justiça para defender as matas virgens e as reservas ecológicas.
“Cortam as matas ignorando tudo o que está dentro. Ninguém quer saber que lá têm milhares de animais, centenas de milhares de espécies de insetos, de plantas, que fazem o seu equilíbrio. E o equilíbrio natural é complexo, onde às vezes a ausência de um elemento pode causar uma falha muito grande. O homem é que perturba e desequilibra”, dizia.
“Cortam as matas ignorando tudo o que está dentro”.
Augusto Ruschi

Ruschi. Um mito nacional.
Em 1977, transformou-se em mito nacional ao enfrentar corajosamente o Governador do Estado do Espírito Santo, que baixara um decreto determinando a implantação de uma fábrica de palmitos enlatados, que seriam extraídos na Reserva de Santa Lúcia (Estação Biológica do Museu Nacional, com milhares de orquídeas catalogadas e 20 mil árvores numeradas com plaquetas de identificação, reconhecida como uma das regiões mais ricas do mundo em flora epífita, trabalhada por Ruschi durante mais de 40 anos sem permitir que se cortasse um galho de árvore ou se retirasse uma planta).
Ruschi recebeu os fiscais do governo, que vieram fazer a topografia da reserva, mas não deixou que eles entrassem. O governador avisou a Polícia Federal e Ruschi, à imprensa nacional e internacional. A pequena cidade de Santa Teresa foi invadida por jornalistas, que divulgaram para todo o país um dramático e realista apelo de Ruschi pela preservação da Reserva. Chegaram centenas de manifestações de apoio do mundo todo e diante de tamanha repercussão, o Governador recuou nas intenções e a Reserva de Santa Lúcia foi salva da ameaça de destruição.
Foi neste momento que a obra de Ruschi saiu dos livros, da pesquisa de campo e dos trabalhos científicos e ganhou corpo e forma para a opinião pública nacional, transformando-o num símbolo contra as agressões ao meio ambiente. Conseguiu, por várias vezes, evitar que grandes áreas florestais fossem devastadas, e dizia que no tempo que lhe restasse de vida continuaria defendendo a floresta brasileira, pois sabia que assim também deefendia a humanidade.
Ruschi foi uma das poucas vozes que se ergueram, no período do Governo Militar, para denunciar a derrubada de áreas na Amazônia, que ele considerava o maior crime contra a vida no planeta, assim como os equívocos no projeto de ocupação desta região.
Grandes amigos. Grandes feitos.
A história de Augusto Ruschi, sua trajetória e polêmicas não se fariam contar, caso não houvesse existido grandes interlocutores e amigos. Dentre eles: Assis Chateubriand, Mr. Crawford Greenwalt, Etiene Beraut, Fernando Lee, Louis Marden, Dr. Rebouças, Otacílio Coser, Dr. Carlos Teixeira de Campos, Anibal Moutinho, John Helal, Rubem Braga, Carlos Drumond de Andrade, Cândido Firmino de Mello Leitão, Aluísio de Mello Leitão, Konrad Lorenz, Jacques Vieillard.
Juntos, estes homens transformaram boa parte da história e da cultura da civilização humana do século XX. Criaram novas ciências, foram pioneiros de suas idéias como a agroecologia, bioacústica e etologia, despertaram o ambientalismo no mundo, discutiram a proteção das biodiversidades mundial e brasileira, modificaram multinacionais e leis, aperfeiçoaram a vida do homem, e acima de tudo, encantaram multidões com suas histórias e conselhos para o presente e o futuro.
Augusto Ruschi encantou a todos com uma mensagem de grande poder e sabedoria que era a proteção à natureza. Essa idéia os uniu em torno de uma ONG presidida por Augusto Ruschi e Assis Chateubriandt, a Sociedade dos Amigos dos Beija-Flores, com sede na própria casa de Assis.
Reuniam-se mensalmente na Casa Amarela, em São Paulo, e planejavam vários atos de interferência na vida política nacional com finalidades preservacionistas e às vezes, revolucionárias.
Defensor da cultura e dos direitos indígenas.
Ruschi também foi defensor da cultura e dos direitos das minorias indígenas, que ele conheceu bem de perto nas suas andanças pelas florestas, pelos afluentes do Amazonas, pelos Andes e pelos vales do Peru e da Colômbia. Conviveu com centenas de tribos indígenas, observando que os índios, há milhares de anos, são depositários de um conhecimento sobre a natureza sem registro científico. Eles detêm a memória cultural da utilização da flora e da fauna na cura de enfermidades e em aplicações cotidianas.
Foi abraçando a cultura indígena que Ruschi sensibilizou novamente o país, no ano de 1986. Gravemente enfermo devido a seqüelas deixadas por doenças como esquistossomose e malária, contraídas durante suas pesquisas nas florestas, e abatido pelo veneno absorvido de sapos dendrobatas, anos atrás, durante uma coleta de material no Amapá, Ruschi resolveu submeter-se a um ritual indígena na esperança de que esta medicina, baseada em ervas e raízes, o ajudasse a enfrentar a doença. Já havia se submetido a todos os tratamentos médicos convencionais.
O país ficou impressionado com o diálogo de Ruschi com o cacique Raoni, da Tribo Txuacarramãe, e com o Pajé Sapaim, dos Camiurá, sobre plantas medicinais e métodos de tratamento.
Morre Ruschi, mas não a sua obra.
Ruschi morreu de cirrose hepática, com o fígado irremediavelmente comprometido devido às doenças que adquirira nas suas pesquisas pelas florestas, e vírus de hepatite B e C. Atendendo a um desejo seu, foi enterrado nas matas da Reserva Biólogica de Santa Lúcia, no dia 05 de junho de 1986, coincidentemente Dia Mundial do Meio Ambiente.
Homem da floresta, conservacionista apaixonado, cientista prestigiado internacionalmente, Ruschi preocupava-se com a continuidade de sua obra. Pensando nisso, doou o Museu de Biologia Mello Leitão e a Reserva de Santa Lúcia à Fundação Nacional Pró-Memória, e os direitos autorais de sua obra literária, manuscritos e arquivo de fotos ao único filho que seguiu a carreira científica.
Augusto Ruschi morreu convencido de que a única esperança de sobrevivência para a humanidade era o homem mudar radicalmente a sua relação com o meio ambiente. Segundo ele, todo o esforço de nada adianta se não houver conscientização da importância da conservação da natureza entre as crianças de hoje: “Não se ensina Ecologia nas escolas brasileiras embora haja uma lei que a tornou matéria obrigatória. Enquanto não se formar a criançada na direção certa, o futuro da natureza do Brasil continuará ameaçado”.
“Enquanto não se formar a criançada na direção certa, o futuro da natureza do Brasil continuará ameaçado”.
Augusto Ruschi

André Ruschi. Mais uma geração a serviço da natureza.
André Ruschi vem dando continuidade à obra de seu pai, pesquisando e elaborando teorias e metodologias sobre Educação Ambiental com crianças, projeto desenvolvido pela Estação Biologia Marinha Ruschi (instituição de pesquisas criada por Ruschi em 1970). No trabalho de André está a essência do trabalho de Augusto Ruschi: um profundo amor pela natureza, a pesquisa desenvolvida no campo e a necessidade de contribuir para a mudança indispensável à sobrevivência da vida no planeta.
Para André Ruschi, este é o momento da mudança. Pela primeira vez temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida do planeta. Por isso, as pessoas estão se reunindo para decidir o quer fazer em relação à questão ambiental. O momento do fim está se aproximando com velocidade. Existem vários fins previstos: vão acabar as matérias primas, os adubos químicos, os combustíveis fósseis e as reservas naturais.
Convivemos com a loucura nuclear, o envenenamento do ambiente, a contaminação do lixo, a fome desesperadora, devorando o próprio sistema social da humanidade. O mundo está entrando em convulsão. Daí a importância de mudarmos a relação do homem com o seu meio ambiente, através do trabalho com as crianças, que são a renovação da vida humana e do planeta.
Em 1987, André escreveu para o deputado constituinte Fábio Feldmann a proposta de Capítulo de Meio Ambiente da constituição Federal, Art. 225, que veio a ser aprovada e promulgada em 1988. Em 2000, 2001 e 2002, nas inúmeras participações nas plenárias Nacionais de Saúde, apresentou as propostas de aprovação de inclusão no SUS das terapias alternativas: fitoterapia, homeopatia, massoterapia, acupuntura, entre várias outras aprovadas a nível nacional.
Augusto e André Ruschi são referências para todos aqueles que se propõem a contribuir para a revolução cultural que está por acontecer e que poderá evitar o colapso da vida na Terra, através de uma nova ética ecológica construída a partir da Educação Ambiental.
A história, as idéias e a filosofia de Augusto Ruschi são oportunamente lembradas como um compromisso na alma daqueles que compreenderam o espírito de toda a sua luta.
“O número de homens na terra não será determinado pelas leis do homem, mas sim pelas leis da natureza”.
Augusto Ruschi



A incrível história do dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos
(Paulo Tatit)

Na América do Sul tem um pais chamado Brasil onde acontecem
coisas incríveis e nos vamos contar como é que o naturalista
Augusto Ruschi se tratou da doença terrível que ele pegou dos
sapos venenosos.

Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos.

Ele era naturalista porque gostava da natureza, estudava a
natureza, entendia os bichos, as matas, as formigas, os
passarinhos... e defendia a natureza!
Não deixava ninguém derrubar árvores, queimar florestas, poluir
rios, matar e arrancar a pele dos animais, não deixava.

Dr. Augusto Ruschi, mais vale um pássaro voando que dois na mão.

Mas antes de contar onde, como e porque os sapos venenosos
envenenaram o Dr. Ruschi, quero vem quem adivinha qual o
bicho que ele mais gostava. Dou-lhe uma, ... dou-lhe duas... dou-lhe três... o beija-flor!
Beija-flor das fadas; vermelho; saíra; besouro; pardo; d'água; do
mato; de penacho; comum; em geral.

Mas um dia, ... um dia ele estava sozinho na floresta e vieram os
sapos, os sapos venenosos! Primeiro ele parou e viu aqueles sapos
escondidos... ai ele falou:
- "Que sapos bonitos, vou estudar estes sapos" e levou alguns
sapos para examinar melhor na casa dele! ih! Mas ele não sabia
que aquele tipo de sapo quando ficava nervoso, irritado, soltava
um veneno terrível que podia ser mortal!

Cuidado Ruschi! Chiii, agora ele estava envenenado!

Dr. Augusto Ruschi, o naturalista, envenenado!

Ai, ai, ai.

Tentou os hospitais, as farmácias e drogarias, consultou médicos,
falou com cientistas, especialistas, tomou remédio, fez dieta, fez
de tudo, mas nada, nada, nada adiantava.

E o Dr. Augusto Ruschi, o naturalista, envenenado...

Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente
pensa...

E foi assim que um poeta lá do Rio, pediu ao Presidente do
Brasil, pra falar com o cacique dos índios (é claro, o cacique dos
índios!)

E veio o cacique Raoni
E veio o pajé Sapaim

Trouxeram as ervas lá do alto Xingu
Umas ervas estranhas pra chuchu
E disseram: "Viemos curar professor amigo do índio e dos
bichos".

E disseram e fizeram a pajelança. Medicina de índio, pajelança.

Fumaram cigarros, deram banho de ervas, esfregaram as mãos,
fizeram massagem... retiraram o veneno... curaram!

E todo mundo viu no jornal e TV, todo mundo acompanhou pelas
fotografias.
A gente via e ele lia ao lado dos dois amigos: Raoni, Sapaim.

E o Dr. Ruschi, o naturalista pôde então concluir o seu trabalho;
feliz ele foi atras de uns beija-flores que faltavam pra completar
seu livro: BEIJA-FLOR de papo branco, da mata virgem, de
topete, de colarinho da cordilheira, grande, Brasil.

Foto tirada em meados de Maio de 2008 - Antigo Matadouro - Rio Claro - SP.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Sabiá-do-campo", "Galo-do-campo", "Papa-sebo","Chalk-browed Mockingbird"(Mimus saturninus) Adulta.

sabiá-do-campoO que me leva a fotografar pássaros são esses olhares que penetram bem no fundo, sem esforço algum. Esse local (Antigo Matadouro) faz parte da minha história de vida, infância... Atrás desse azul no fundo, existe um enorme depósito de lixo, onde passa o Ribeirão Claro, que quando enche, cobre a lagoa dos Pascon de poluição, onde os peixes vivem, os animais bebem água, o homem pesca e come o peixe com a mulher que fica grávida do metal pesado e dá a luz ao falso brilho. Que rio é esse que polui a lagoa? Não é o rio, é o homem que não é do rio, o mesmo rio que deu o nome à minha cidade Rio Claro que há anos não é claro. Meados de Maio de 2008.

Tico-tico - Rufous-collared Sparrow (Zonotrichia capensis)

Tico-tico - Rufous-collared Sparrow
 (Zonotrichia capensis)


Esse belo pássaro ficou me observando por alguns minutos, de topete baixo, totalmente receoso e ao mesmo tempo curioso com a situação. É muito comum caminhar pelas praças, campos e bordas de florestas e ouvir o canto do tico-tico. Eles caminham pelo chão aos pulinhos comendo sementes, insetos e às vezes são confundidos com pardais pelas pessoas, mas a principal diferença é o topete listrado.

Se você estiver caminhando por aí e de repente observar um tico-tico sendo perseguido por um pássaro de cor preta gritando e balançando as asas, fique tranquilo, pois nada mais é que um filhotão de chopim querendo comida. O tico-tico é vítima de parasitismo dos chopins que botam os seus ovos para ele chocar. Geralmente as fêmeas botam de 3 a 5 ovos que são incubados por 12 ou 13 dias. Os filhotes abandonam o ninho no máximo em duas semanas e ficam dependentes dos dos pais por aproximadamente 30 dias. Quando sentem a ameaça perto dos ninhos, saem pulando pelo chão em direção contrária com as asas caídas parecendo quebradas. Vivem geralmente aos pares ou até mesmo sozinhos. Adaptaram-se bem à vida urbana, mas o número diminuiu bastante devido ao parasitismo do chopim e o homem.
Foto tirada em maio de 2008 na estrada de Ajapi.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Alegrinho - White-crested Tyrannulet(Serpophaga subcristata)

Alegrinho - White-crested Tyrannulet
(Serpophaga subcristata)

pula-pula-de-barriga-branca Esse pássaro é mais uma vítima da devastação do último fragmento de cerrado de Rio Claro, ele foi fotografado no mesmo lugar e até mesmo a mesma árvore onde o sanhaço abaixo foi.  Manhã de Maio de 2008.

Autor: Helberth C. Peixoto

"Sanhaço-do-mamoeiro", "Sanhaço-cinzento", " Sayaca Tanager"(Tangara sayaca)

sanhaço-cinzentoBelo e simpático pássaro, muito comum ainda na minha região. É um dos primeiros pássaros que se aproximam dos comedouros com frutas colocados em casas, chácaras, pomares e lugares de observação. Se alimentam de frutos, como mamão, banana, goiaba, abacate, manga, frutos nativos e insetos encontrados nas árvores e formigas e cupins alados. O macho e a fêmea são idênticos e se comunicam com chamados e cantos variados. Além das áreas urbanas, é comum encontrá-los em bordas de florestas cantando o dia inteiro e comendo frutinhos e insetos.
Com a devastação das florestas, cada vez mais eles procuram alimentos nos pomares de quintais.
Esse pássaro foi fotografado na estrada de Ajapi, onde havia uma área extensa de mata nativa de cerrado, lá habitavam pássaros como sanhaços, saíras, tico-ticos, sabiás, canários... Apenas alguns meses depois dessa fotografia, a área foi vendida para uma empresa e enfim devastada, era o último espaço nativo de cerrado, além de uma pequena área preservada pela empresa Tigre. Nesse dia eu chorei, pois estava fotografando e senti o desespero dos pássaros fugindo daquele barulho infernal das moto-serras. Uma pena, mas é uma triste realidade. Maio de 2008.


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"Garcinha", "Garça-branca-pequena", "Snowy Egret"(Egretta thula)

garcinhaEm uma de minhas caminhadas sem rumo atrás de surpresas naturais, encontrei essa garcinha em um sítio que entrei na Assistência - Rio Claro. Ela estava solitária descansando nesse toco, onde logo ao lado, havia um pequeno alagado, acredito que ela estava comendo alguns insetos e vermes no local. Ficou lá por alguns instantes e logo voou. Nesse local havia um pasto e alguns gados, pensei então que poderia ser uma garça-vaqueira, mas vi que as características dela eram outras, pois o bico não era amarelado e as pernas eram escuras. Acredito ser uma garcinha jovem, pois ainda não está com as pernas totamente escuras. Ao contrário das outras garças pescadoras, não costuma ficar parada esperando a presa. Possui diversas técnicas de pescaria ativa, sendo uma das mais interessantes quando usa os pés coloridos para atrair os peixes nas margens das praias. Movimenta um dos pés sob as águas, como iscas para os pequenos peixes de que se alimenta. Também costuma realizar rápidas corridas dentro d’água e paralelas às margens, espantando os peixes e conseguindo apanhá-los em rápido movimentos de bico. Outra técnica utilizada é a de acompanhar capivaras ou cabeças-secas em áreas inundadas, caminhando ao lado e apanhando peixes e insetos espantados pelo movimento dos animais maiores.
Maio de 2008.


Caracará - Southern Caracara (Caracara plancus)

Caracará - Southern Caracara (Caracara plancus)


Gavião é bicho sem fronteira... (Tom Jobim). Quando se fala em fronteiras, com certeza não é do carcará, pois a sua distribuição ocorre da Flórida à Terra do Fogo e em todo o Brasil. Vive em campos abertos e em locais de queimada, comendo vermes, pequenos animais e pássaros, também não dispensa uma bela carne em início de decomposição. Em período reprodutivo, constrói um ninho raso de gravetos no alto das grandes árvores e começa a mudar a face avermelhada para o amarelo. A fêmea põe de 2 a 4 ovos manchados que chocam em 28 dias.



Registro feito em Março de 2008, Assistência - Rio Claro -SP.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pica-pau-do-campo, Chã-chã, Campo Flicker (Colaptes campestris)

Pica-pau-do-campo, Chã-chã, Campo Flicker (Colaptes campestris)


Um dos mensageiros dos campos abertos e matas secas. Logo que você chega distraído, eles já saem gritando alto avisando à todos que o homem vem aí. Vivem na terra, cupinzeiros, postes e mourões das divisas dos sítios procurando larvas, cupins e formigas e fogem logo para árvores altas ou isoladas quando ameaçados. Fazem ninhos em buracos de árvores e cercas, geralmente vivem aos pequenos bandos, tendo alguns hábitos das gralhas.

Fotografado em um fio beirando os campos perto da antiga fábrica de papel, campos esses que foram substituídos por casas em um novo bairro de Rio Claro que eu não faço questão de recordar o nome. Maio de 2008.


"Curutié", "Corruíra-do-brejo","Yellow-chinned Spinetail" (Certhiaxis cinnamomeus)

curutiêComo é bom caminhar pelos brejos e logo ao amanhecer você ouve o belo dueto do casal de Curutiés.
Pássaro que habita os brejos e alagados dando vôos curtos sobre os arbustos e plantas aquáticas, é interessante como ele revira as plantas em busca de suculentos invertebrados. Vivem aos casais e normalmente com filhotes mais recentes da reprodução. Fazem ninhos com gravetos em partes baixas, ninhos rendondos com a entrada lateral em forma de chaminé. Utilizam o ninho como abrigo, além da reprodução. Alguns pássaros como o "Saci" ou "Peitica" botam seus ovos para o "Curutiê" chocar e cuidar dos filhotes. Eu ainda não encontrei uma espécie favorita, todas me agradam, mas ele seria um ótimo candidato.
Fotografado em uma manhã de sol em maio de 2008.

"Bico-de-lacre", "Common Waxbill"(Estrilda astrild)

bico-de-lacre
bico-de-lacre




Espécie originária da África que foi indroduzido ao Brasil por volta de 1870 e adaptou-se muito bem. É visto aos bandos em campos abertos, terrenos baldios, onde encontramos capins com sementes. Fazem grandes ninhos com hastes de capim e penas, geralmente ovais com um túnel de entrada e muitas vezes fazem ninhos menores como dormitórios apenas. Para possivelmente enganar os predadores, constroem outras entradas facilitando assim, a fuga. Após um período de 11 dias de incubação, nascem os filhotes, geralmente 3 ou 4, que ficam no interior do ninho em média 17 dias.
Essa foto foi tirada em um lugar que já não existe mais, A famosa chácara Scarpa, onde hoje é uma prisão domiciliar, um condomínio de luxo fechado com paredes grossas e altas e com poucas árvores e muito menos capim obrigando os pequeninos procurarem alimento em outros lugares. Esse lugar foi onde eu passei uma boa parte da minha infância, onde tinham muitas árvores, animais e pássaros diversos, até mesmo o raro Urutau. Registro feito em maio de 2008.



"Ferreirinho-relógio","Common Tody-Flycatcher"(Todirostrum cinereum)

Ninho



Essa é uma espécie muito pequena, como vocês podem ver, um pouco maior que as manonas ao lado. O seu canto parece um relógio de mesa quando dado corda, daí o nome "Relógio". Vive geralmente solitário ou em casais, cantando o dia inteiro e comendo insetos nos galhos ou em vôo no interior das árvores. Não é visto no chão e algumas vezes é encontrado no lado externo dos arbustos em plena luz. Faz o ninho com resto de folhagem, painas úmidas que se agrupam quando secas, o ninho fica pendurado da ponta do galho com a entrada protegida por um telhado. O ninho pode ser utilizado várias vezes, apesar da aparência frágil, é bastante resistente aos ventos e chuvas fortes.


A primeira e a segunda foto foi tirada em Outubro de 2009 em Águas de São Pedro.

A terceira foto tirada em maio de 2008 no antigo matadouro de Rio Claro -SP.

video

O vídeo acima foi feito em Águas de São Pedro em Outubro de 2009. Eu usei o chamado (áudio) de um macho para atraí-lo, por estar no período reprodutivo, o macho ficou bem excitado, pois acreditava que outro macho estava invadindo o seu território, é bonito de se ver.