terça-feira, 3 de março de 2009

"Coruja-buraqueira", " Burrowing Owl" (Athene cunicularia)

coruja-buraqueira


Essas belas e adoráveis corujas são as mais conhecidas no Brasil. Ficam durante o dia paradas nos barrancos onde fazem os seus abrigos, nos postes,mourões de sítios, geralmente em campos abertos com vegetação rasteiras com árvores dispersas e até mesmo em áreas mais urbanizadas como terrenos baldios, campos de futebol e parques com gramados. Constroem seus ninhos, em buracos feitos por elas mesmas, buracos de tatus readaptados ou até buracos abandonados por outras corujas. São extremamente protetoras dos ninhos e filhotes. A qualquer sinal de perigo, emitem um som forte e alto. Ao ouvirem o sinal de alerta dos pais, os filhotes entram no ninho rapidamente. Elas dão voos razantes em cima de qualquer animal ou até mesmo pessoas que invadem os seus territórios. Ficam agressivas quanto se trata de proteger os filhotes, porém são muitas vezes tranquilas quando não estão reproduzindo.
Elas têm um papel muito importante para o equilíbrio natural, se alimentando de roedores, baratas, escorpiões, aranhas, pequenas cobras. Alimentam-se também de pequenos pássaros e filhotes de ninhos próximos. À noite, a atividade é maior, pois é o período em elas fazem o a maioria das caçadas, mas não desprezam presas durante o dia. Executam cantos noturnos característicos das corujas, chamados de acasalamento, diferentes dos silvos de alerta.


coruja




CURIOSIDADES



Muitos antigos acreditam que quando uma coruja pousa e canta em uma casa, é sinal de mal agouro, dizem que alguma pessoa vai morrer naquela casa. ISSO É UMA BESTEIRA!!! Devemos ficar felizes por elas estarem por perto, pois serão evitadas as abundâncias de pragas, animais peçonhentos, evitando assim muitas doenças. Devemos ouvir os mais velhos, porém não devemos acreditar em tudo que eles dizem porque muitos desses mitos acabam desequilibrando o meio ambiente com matanças absurdas dessas maravilhas noturnas.



AS CORUJAS NA MITOLOGIA GREGA



Coruja de Minerva
As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena.
Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).
Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa ambaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.
Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.
Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.

coruja

As corujas e a humanidade...

A lenda das Corujas durante a história da humanidade, as corujas simbolizaram algumas vezes o conhecimento, a sabedoria, e outras a morte ou uma ligação com um mundo espiritual. Na maioria das culturas ocidentais, as opiniões sobre as corujas se transformam com o decorrer dos tempos. Servem tanto para mostrar as condições do habitat como podem indicar o comportamento cultural e religioso local e de como o ser humano se relaciona com a terra. Encontramos a figura da coruja representada nas mais variadas formas de cultura, como por exemplo entre os Cherokees norte-americanos, no folclore russo, no mexicano e até entre os arborígines da Austrália.Em muitas dessas culturas, as corujas simbolizaram o mal, o demoníaco, ou uma ligação com a morte e por isso eram temidas, atacas e mortas. Hoje, ainda temos várias lendas com as mesmas conotações mas, a coruja, possui agora um grande respeito com a compreensão dos papeis que ela ocupou no desenvolvimento cultural de cada povo.Uma de nossas lendas indígenas, conta que no começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senhora do rio.A filha de Boiúna se casou com um rapaz de outra tribo mas não dormia com ele porque nunca era noite. Até que um dia o rapaz mandou 3 amigos buscar a noite no fundo do rio. Boiúna entregou a noite dentro de um caroço de tucumã. Na volta eles abriram o caroço , deixando a noite escapar e tudo escureceu.A moça então resolveu separar a noite do dia e pegou um fio de seu cabelo transformou-o em ave e disse:- Tu serás cujubin e cantaras sempre que a manhã estiver chegando. Depois pegou outro fio, transformou-o em ave e disse:- Tu serás coruja e cantarás sempre que a noite chegar. E assim o dia passou a ter dois períodos.

FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO Oriel Nogali -Biólogo do Setor de Aves

Fotos: Natal de 2008, Águas de São Pedro.