quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quiriquiri - American Kestrel (Falco sparverius)


Quiriquiri - American Kestrel (Falco sparverius)

Umas semanas antes dessa foto, eu sofri um acidente de moto e tive que ficar de muletas por um tempo. Meu amigo Jofrei já meio cansado de me ver de molho, me convidou para ir na chácara da mãe dele em São Pedro. Eu de muletas e claro, a câmera sempre preparada, aceitei o convite e fomos passar um final de semana prolongado naquele belíssimo lugar. Chegando lá, fiquei atento aos sons de pássaros aos arredores, mas só foi na manhã do dia seguinte que comecei a busca. Antes disso, eu estava na varanda da casa distraído quando percebi que a mais ou menos cem metros pousara algo com características rapineiras. Então peguei as armas (a câmera e as muletas) e fui para caçada!!! Olhei para o poste de madeira e vi o QUIRI-QUIRI!!! Era uma manhã de sol, sem nuvens, ótima para fotografia, mas demorei "uma hora" para me aproximar, pois era a minha primeira experiência fotográfica com muletas que posteriormente serviram até de apoio para a máquina em algumas fotos, mas enfim, a demora fez com que o quiri-quiri fosse embora. Ele bateu asas e sumiu naquela imensidão azul dos campos abertos, mas para a minha surpresa, logo em seguida voltaram dois, um belo casal que pousava no mesmo lugar, um ponto estratégico para a observação de presas. Caminhei bem devagar e um deles saiu voando, então não perdi mais tempo e fotografei de longe mesmo, pois não queria perder outra chance.
A foto até que saiu boa, apesar da distância que eu estava do foco.
Nos dias seguintes eles voltaram logo cedo e assim foi por três dias. Faziam vôos rápidos e circulares, pousando sempre no mesmo lugar, mas não consegui observar nenhuma presa capturada.
Fotografei-os outras vezes, mas essa foto foi a primeira!

Um pouco mais sobre os Quiri-quiris...

O quiriquiri é o menor dos falcões brasileiros. Ocupa áreas urbanas, margens de estradas e ambientes abertos, produzidos pela atividade humana. Em areas naturais seu principal habitat é campos e cerrados, evitando as matas, cerradões e formações de vegetação adensada. Caça a partir de poleiros fixos, naturais ou artificiais (como os fios ao longo da estrada). Além de apanhar a presa a partir do poleiro, também costuma “peneirar” (vôo no mesmo lugar como no gavião-peneira). Alimenta-se de lagartos e grandes insetos; ocasionalmente, apanha roedores, pequenas cobras e aves. A presa é capturada e morta no solo, sendo carregada depois para o poleiro.
Assim como no Circus buffoni o quiriquiri também apresenta dimorfismo sexual na plumagem, o macho é cinza azulado no alto da cabeça e asa, enquanto as costas e a cauda são marrom avermelhado, finamente estriadas de negro. Uma larga faixa negra sub terminal na cauda e ponta branca. As partes inferiores são brancas, com pontos negros no peito e barrigas, mais densos nos lados do corpo. Possui um desenho de lágrima, negra, abaixo do olho; uma outra linha vertical no lado da cabeça e um ponto negro na nuca. A fêmea têm as costas e asas marrom avermelhada, com as estrias negras finas, sem o cinza azulado do dorso do macho ou a faixa negra subterminal na cauda. As partes inferiores são de tom marrom alaranjado claro, com riscos finos, verticais e negros, sem o padrão de pontos do macho. O desenho e cores da cabeça são iguais. Os filhotes já saem do ninho com a plumagem do sexo correspondente.
Geralmente fazem ninhos em ocos naturais ou artificiais, colocando até 4 ovos. com periodo de incubação de 27 a 32 dias, os filhotes voam entre 29 e 31 dias após o nascimento. Bastante agressivo contra invasores, os pais fazem vôos rasantes sobre o intruso, os filhotes tem como técnica de defesa no ninho se virar de barriga para cima com as asas abertas com as garras em posição de ataque para intimidar o invasor. Além disso qualquer outra ave de rapina maior que passar por seu território o quiriquiri persegue dando voos rasantes nas costas do invasor. Seu nome "quiriquiri" é onomatopéia de sua vocalização que repete várias vezes, Voz: "gli-gli-gli", i-i, i, i, i".
Fonte: Aves de Rapina Brasil
Fotografia: São Pedro, julho de 2008.