terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Biguá - Neotropic Cormorant (Phalacrocorax brasilianus)

Biguá - Neotropic Cormorant (Phalacrocorax brasilianus)

Grande ave aquática, adulto totalmente escuro, com o juvenil pardo. No período reprodutivo, os adultos apresentam os cantos do bico delimitado por penas brancas, bem como uma mecha de penas da mesma cor atrás do olho. Os olhos são verde claros com raias quase brancas.
É um parente distante dos pelicanos. Alimenta-se exclusivamente de peixes. Sua forma de pescaria é especial. Nada ativamente atrás dos peixes sob a água e, para facilitar seu deslocamento subaquático, as penas perdem parte da sua impermeabilidade, molhando-se. Dessa forma, para poder voar depois dos longos mergulhos, ficam pousados nas margens ou em árvores próximas à água, com as asas abertas ao sol. Nos seus vôos pós-mergulhos longos, precedem seu deslocamento até locais expostos com um comportamento curioso.
Ficam nadando na superfície e batendo as asas seguidamente, para secá-las um pouco e ganhar sustentação.
Esses vôos de saída da água são lentos e difíceis, ao contrário do que ocorre quando estão com as penas secas. Normalmente, deslocam-se em várias altitudes, desde próximo à água até grandes alturas. Nos vôos matinais para chegar a locais de pesca, costumam voar em bandos com formato de V, semelhantes a patos, sendo muitas vezes confundidos com esses. A observação detalhada logo separa os dois, devido ao ritmo de batimento de asas e formato geral da ave, onde a cauda é mais longa proporcionalmente ao corpo do que nos patos.
Seu período reprodutivo no Pantanal inicia-se ainda no período de cheias, quando ocupam os ninhais coletivos e produzem um alarido semelhante ao de porcos. Ano após ano reocupam áreas tradicionais e na região da reserva existem dois ninhais ativos. O maior está na baía da Moranguinha. Ocupados a partir do mês de fevereiro como locais de pouso noturno, em alguns anos começam a nidificar em seguida. Uma de suas áreas prediletas de alimentação é o Riozinho, onde podem ser vistas linhas de vôo contínuas desde os ninhais até baixarem nas águas, para uma pesca individual ou coletiva. No final de julho, é possível encontrar concentrações de centenas de biguás no Riozinho, alguns praticando a pesca coletiva. Nessa modalidade de pesca, o bando de biguás vai nadando na superfície de maneira coordenada e, ocasionalmente, mergulham algumas aves. Vão, pouco a pouco, encurralando um cardume junto à margem ou em um braço de corixo mais raso, quando todos mergulham juntos e pescam seus peixes.
Depois de setembro, reduzem seus números na região da reserva, embora exemplares isolados possam ser observados ao longo de todo o ano no local. Muito freqüente no rio Cuiabá, corixos e baías associados a esse sistema, é menos comum no rio São Lourenço, provavelmente devido à falta de baías e corixos desse último na área da reserva. Também as águas do São Lourenço são geralmente mais turvas, em função dos sedimentos vindos da região de Rondonópolis, o que pode dificultar a visão dos biguás sob a água.
Fonte: Aves do Pantanal.
Foto tirada no "Lago Azul" no final de Maio de 2008.