sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Beija-flor-do-peito-azul", "Sapphire-spangled Emerald", (Amazilia lactea)


Augusto Ruschi.
A brincadeira de menino que virou trabalho sério.
Augusto Ruschi nasceu em 13 de dezembro de 1915, em Santa Teresa, uma pequena cidade de colonização italiana nas montanhas do Espírito Santo. Foi o oitavo dos doze filhos do casal de imigrantes Giuseppe Ruschi e Maria Roatti. Seu pai era agrônomo, trabalhava com topografia e construção; veio para o Brasil em missão do Governo Italiano para auxiliar no desenvolvimento das colônias italianas.
Sua família tem mais de 2 mil anos de tradição no trabalho com ciência, no cultivo e estudo de plantas, sendo inclusive o nome da família originário da espécie Ruscus aculeatus ou azevinho do campo. Vários ancestrais, como Giovani Ruschi e Pietro Ruschi foram cientistas na Itália renascentista e participantes do grupo de Michelangelo e Galileo Galilei.
Augusto Ruschi, ainda menino, já apresentava uma grande curiosidade pelas flores que seu pai cultivava na “Chácara Anita”. Começou seus estudos em Santa Teresa, no colégio Ítalo Brasileiro, onde diversas vezes teve a atenção chamada nas aulas, pois brincava constantemente com os insetos que levava em vidrinhos e caixas de fósforos.
Aos 10 anos passou a residir na cidade de Vitória, para estudar no colégio estadual. Sua professora de Ciências e História Natural foi a pesquisadora e historiadora capixaba Maria Estela de Novaes, que percebendo sua paixão pela vida dos insetos, bichos e plantas, tornou-se a grande incentivadora do jovem Ruschi em sua iniciação ao mundo das Ciências.
Muitas vezes, Ruschi foi dado como morto ou louco, pois sumia diversos dias vivendo pelas matas observando, desenhando e colecionando plantas, flores e animais. Os livros aos quais tinha acesso na época iam se tornando insuficientes, alguns até mesmo incorretos, perante seus questionamentos e observações de campo. Como conseqüência, iniciou um intercâmbio com pesquisadores do Museu Nacional e do Jardim Botânico, enviando materiais coletados aos pesquisadores, em troca de bibliografias especializadas.
Em uma ocasião, enviou suas observações sobre uma praga dos laranjais que assolava a lavoura, descrevendo o ciclo de vida do bicho e solicitando maiores informações a respeito do assunto ao Museu Nacional. O responsável por esta área no Museu Nacional era o professor Mello Leitão, grande cientista brasileiro e principal especialista mundial em aracnídeos. O professor passou as informações de Ruschi para Felippo Silvestre, cientista italiano e especialista que estudava formas de combater esta praga que dizimava os laranjais de todo o mundo.
Ruschi havia tido tempo suficiente para montar e observar mais de 500 caixas de lagartas, coisa que os laboratórios não haviam feito. Essas informações foram fundamentais para a solução do problema, pois complementavam uma pesquisa mundial que se desenvolvia sobre o assunto, onde milhões de dólares foram investidos. Desta forma, aos 12 anos, tornou-se conhecido e admirado por alguns cientistas do país.
Despertado pela importante contribuição do jovem Ruschi, o Prof. Mello Leitão resolveu apadrinhá-lo, contribuindo para o seu aperfeiçoamento científico e para o desenvolvimento de suas pesquisas.
Aos dezessete anos, Ruschi começou a trabalhar para o Museu Nacional e Jardim Botânico como coletor de materiais botânicos e zoológicos. Suas pesquisas foram fundamentais para o conhecimento da fauna e da flora da Mata Atlântica.
Cientista, agrônomo, advogado, naturalista, ecologista.
Em 1937, com apenas 22 anos, passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e foi Professor da Universidade Federal do Brasil (atual UFRJ). Neste período, Augusto Ruschi esteve sob orientação direta do Professor Mello Leitão. A metódica e fechada personalidade, aliada ao impecável espírito científico do professor, fazia com que Ruschi dedicasse seu tempo integralmente à Ciência.
Na sua estada no Rio de Janeiro, o jovem cientista tornou-se rapidamente amigo particular do mestre, com o qual frequentemente tinha longas conversas e trocas de informações. Orientado por ele, Ruschi devorava uma bibliografia que rapidamente era absorvida. Sua experiência de campo contestava vários enunciados teóricos da literatura disponível, mas por outro lado, aos colibris, seu maior interesse, muito pouco a ciência havia se dedicado. Sentiu que o trabalho de campo que realizava antes, nas matas virgens do Espírito Santo, era muito mais relevante para a ciência do que o trabalho nos laboratórios. Aproveitou, assim, a convalescença de uma grave doença, para retornar a sua terra natal.
Gutti, como era conhecido, estendia a sua curiosidade e inteligência pelos mais diversos ramos. Naturalista, botânico, ornitólogo, topógrafo, bacharel em Direito, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do Museu Nacional, prestando também serviços ao Ministério da Agricultura, Ministério da Educação e Governo do Estado do Espírito Santo. Nos anos 40, assessorou a Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, desenvolvendo uma política de preservação do meio ambiente. Como resultado deste trabalho, implantou diversas unidades de conservação.
Seu nome foi dado ao mais importante prêmio da Ecologia Nacional - “Medalha Augusto Ruschi” da Academia Brasileira de Ciências (entregue a cada quatro anos) – seu rosto estampou a nota de “500 cruzados” e Engenheiro do Mérito Nacional. Sua vida foi dedicada às descobertas, defesa e estudo das espécies brasileiras, com uma visão ecológica preservacionista pioneira que o consagrou mundialmente.
Defensor da ecologia e, principalmente, da humanidade.
Ainda na primeira metade do século XX, Augusto Ruschi realizava excursões pelo Brasil e polemizava com personalidades acadêmicas, políticas e empresariais, levantando questões relevantes sobre a importância de se pensar o homem e a natureza numa relação respeitosa e sustentável. Foi o pioneiro do manejo sustentável das florestas tropicais, da agroecologia, do controle biológico de doenças tropicais e zoonoses e das denúncias sobre o perigo dos agrotóxicos.

Lutou e trabalhou incansavelmente, como poucos na história da humanidade, para que se tomassem medidas de contenção da poluição e da destruição - que ainda perduram - mas que muito depois do alerta do pioneiro passam a ser encaradas como prioridades.
Deixou-nos o Museu de Biologia Professor Mello Leitão; a Estação Biologia Marinha Ruschi; a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza; várias reservas, entre as quais o Parque Nacional do Caparão e um dos maiores acervos de imagens (mais de 50 mil slides) e de informações existentes sobre a floresta Atlântica.
Sua obra escrita é composta de 450 trabalhos e 22 livros. Dentre os livros publicados mais conhecidos estão: Aves do Brasil Volumes I e II, Beija-Flores do Espírito Santo, Beija-Flores do Brasil Volumes I e II, Fitogeografia do Estado Espírito Santo, Orquídeas do Espírito Santo, Agroecologia, entre outros. A Estação Biologia Marinha Ruschi e a Casa Augusto Ruschi são as únicas instituições detentoras dos direitos autorais da obra deste grande cientista brasileiro.
Há muito ainda que se resgatar da obra deste cientista, o principal personagem da defesa ecológica nacional e um dos 1000 grandes homens que construíram o saber e as idéias do século XX.
Beija-flor: a grande paixão.
A grande paixão de Ruschi e seus mais importantes trabalhos científicos foram sobre beija-flores, orquídeas e demais plantas polinizadas por estes pássaros. Dedicou a sua vida ao levantamento de dados científicos desta família de aves, que até então não possuía bibliografia específica. Foi o primeiro no mundo a reproduzi-los em cativeiro e domesticá-los, tornando-se internacionalmente conhecido por estas pesquisas e transformando-se na grande referência mundial sobre beija-flores, deixando a maior obra escrita no mundo sobre o assunto.
Também foi a principal autoridade mundial sobre ecologia da floresta Atlântica, sendo o único cientista no mundo a viver 50 anos no interior da floresta para estudá-la, deixando significativas contribuições em estudos de morcegos, macacos, bromélias, orquídeas e impacto ambiental.
Em 26 de junho de 1949, na mesma data em que há 74 anos italianos haviam colonizado o solo teresense, fundou na “Chácara Anita” o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, para servir de suporte para a política estadual de meio ambiente e para suas pesquisas. Para dar início às atividades científicas do Museu, juntou todos os levantamentos que havia realizado até então e iniciou a publicação de seus trabalhos. Foram editados cerca de 400 números do Boletim do MBML. Lançou duas teses principais: uma sobre as Reservas Ecológicas, assunto pouco comum na época, e outra sobre o Desenvolvimento Agrícola Auto-sustentável em Florestas Tropicais.
Ruschi defendia as Reservas como espaços de preservação que o mundo não poderia prescindir, por se constituírem em reservas genéticas de espécimes da natureza ameaçadas de extinção. Essa tese foi lançada num dos primeiros Congressos Florestais de âmbito internacional, em Roma, no ano de 1951, sendo muito bem recebida nos meios científicos internacionais, que passaram a difundi-la por toda a Europa. Assim, no início dessa década começaram a surgir Reservas Florestais por todo o mundo, uma das mais importantes políticas de preservação do meio ambiente.
Após a Segunda Guerra Mundial veio a necessidade de intensificar a produção de alimentos, com a utilização de adubos químicos e um controle de pragas. Ruschi passou a observar a morte dos pássaros e insetos após a pulverização com agrotóxicos e outros efeitos provenientes do envenenamento da natureza, iniciando a discussão dos efeitos poluidores de agrotóxicos sobre os ecossistemas. Publicou vários trabalhos sobre o assunto, sendo um dos primeiros a denunciar à sociedade os perigos do DDT.
Excursões aos quatro cantos do mundo.
Para suas pesquisas, realizou 259 excursões científicas por todos os lugares do mundo, da Patagônia ao Alasca, registrando todas as suas observações sobre a natureza, os animais e as plantas em publicações repletas de fotografias e slides.
Em suas andanças pelas florestas, Ruschi testemunhava as agressões que estas sofriam. Dizia que se as matas fossem destruídas morreria de tristeza. A indignação dele aumentava à medida que aprofundava o assunto. Enfrentava autoridades, empresas e até a própria justiça para defender as matas virgens e as reservas ecológicas.
“Cortam as matas ignorando tudo o que está dentro. Ninguém quer saber que lá têm milhares de animais, centenas de milhares de espécies de insetos, de plantas, que fazem o seu equilíbrio. E o equilíbrio natural é complexo, onde às vezes a ausência de um elemento pode causar uma falha muito grande. O homem é que perturba e desequilibra”, dizia.
“Cortam as matas ignorando tudo o que está dentro”.
Augusto Ruschi

Ruschi. Um mito nacional.
Em 1977, transformou-se em mito nacional ao enfrentar corajosamente o Governador do Estado do Espírito Santo, que baixara um decreto determinando a implantação de uma fábrica de palmitos enlatados, que seriam extraídos na Reserva de Santa Lúcia (Estação Biológica do Museu Nacional, com milhares de orquídeas catalogadas e 20 mil árvores numeradas com plaquetas de identificação, reconhecida como uma das regiões mais ricas do mundo em flora epífita, trabalhada por Ruschi durante mais de 40 anos sem permitir que se cortasse um galho de árvore ou se retirasse uma planta).
Ruschi recebeu os fiscais do governo, que vieram fazer a topografia da reserva, mas não deixou que eles entrassem. O governador avisou a Polícia Federal e Ruschi, à imprensa nacional e internacional. A pequena cidade de Santa Teresa foi invadida por jornalistas, que divulgaram para todo o país um dramático e realista apelo de Ruschi pela preservação da Reserva. Chegaram centenas de manifestações de apoio do mundo todo e diante de tamanha repercussão, o Governador recuou nas intenções e a Reserva de Santa Lúcia foi salva da ameaça de destruição.
Foi neste momento que a obra de Ruschi saiu dos livros, da pesquisa de campo e dos trabalhos científicos e ganhou corpo e forma para a opinião pública nacional, transformando-o num símbolo contra as agressões ao meio ambiente. Conseguiu, por várias vezes, evitar que grandes áreas florestais fossem devastadas, e dizia que no tempo que lhe restasse de vida continuaria defendendo a floresta brasileira, pois sabia que assim também deefendia a humanidade.
Ruschi foi uma das poucas vozes que se ergueram, no período do Governo Militar, para denunciar a derrubada de áreas na Amazônia, que ele considerava o maior crime contra a vida no planeta, assim como os equívocos no projeto de ocupação desta região.
Grandes amigos. Grandes feitos.
A história de Augusto Ruschi, sua trajetória e polêmicas não se fariam contar, caso não houvesse existido grandes interlocutores e amigos. Dentre eles: Assis Chateubriand, Mr. Crawford Greenwalt, Etiene Beraut, Fernando Lee, Louis Marden, Dr. Rebouças, Otacílio Coser, Dr. Carlos Teixeira de Campos, Anibal Moutinho, John Helal, Rubem Braga, Carlos Drumond de Andrade, Cândido Firmino de Mello Leitão, Aluísio de Mello Leitão, Konrad Lorenz, Jacques Vieillard.
Juntos, estes homens transformaram boa parte da história e da cultura da civilização humana do século XX. Criaram novas ciências, foram pioneiros de suas idéias como a agroecologia, bioacústica e etologia, despertaram o ambientalismo no mundo, discutiram a proteção das biodiversidades mundial e brasileira, modificaram multinacionais e leis, aperfeiçoaram a vida do homem, e acima de tudo, encantaram multidões com suas histórias e conselhos para o presente e o futuro.
Augusto Ruschi encantou a todos com uma mensagem de grande poder e sabedoria que era a proteção à natureza. Essa idéia os uniu em torno de uma ONG presidida por Augusto Ruschi e Assis Chateubriandt, a Sociedade dos Amigos dos Beija-Flores, com sede na própria casa de Assis.
Reuniam-se mensalmente na Casa Amarela, em São Paulo, e planejavam vários atos de interferência na vida política nacional com finalidades preservacionistas e às vezes, revolucionárias.
Defensor da cultura e dos direitos indígenas.
Ruschi também foi defensor da cultura e dos direitos das minorias indígenas, que ele conheceu bem de perto nas suas andanças pelas florestas, pelos afluentes do Amazonas, pelos Andes e pelos vales do Peru e da Colômbia. Conviveu com centenas de tribos indígenas, observando que os índios, há milhares de anos, são depositários de um conhecimento sobre a natureza sem registro científico. Eles detêm a memória cultural da utilização da flora e da fauna na cura de enfermidades e em aplicações cotidianas.
Foi abraçando a cultura indígena que Ruschi sensibilizou novamente o país, no ano de 1986. Gravemente enfermo devido a seqüelas deixadas por doenças como esquistossomose e malária, contraídas durante suas pesquisas nas florestas, e abatido pelo veneno absorvido de sapos dendrobatas, anos atrás, durante uma coleta de material no Amapá, Ruschi resolveu submeter-se a um ritual indígena na esperança de que esta medicina, baseada em ervas e raízes, o ajudasse a enfrentar a doença. Já havia se submetido a todos os tratamentos médicos convencionais.
O país ficou impressionado com o diálogo de Ruschi com o cacique Raoni, da Tribo Txuacarramãe, e com o Pajé Sapaim, dos Camiurá, sobre plantas medicinais e métodos de tratamento.
Morre Ruschi, mas não a sua obra.
Ruschi morreu de cirrose hepática, com o fígado irremediavelmente comprometido devido às doenças que adquirira nas suas pesquisas pelas florestas, e vírus de hepatite B e C. Atendendo a um desejo seu, foi enterrado nas matas da Reserva Biólogica de Santa Lúcia, no dia 05 de junho de 1986, coincidentemente Dia Mundial do Meio Ambiente.
Homem da floresta, conservacionista apaixonado, cientista prestigiado internacionalmente, Ruschi preocupava-se com a continuidade de sua obra. Pensando nisso, doou o Museu de Biologia Mello Leitão e a Reserva de Santa Lúcia à Fundação Nacional Pró-Memória, e os direitos autorais de sua obra literária, manuscritos e arquivo de fotos ao único filho que seguiu a carreira científica.
Augusto Ruschi morreu convencido de que a única esperança de sobrevivência para a humanidade era o homem mudar radicalmente a sua relação com o meio ambiente. Segundo ele, todo o esforço de nada adianta se não houver conscientização da importância da conservação da natureza entre as crianças de hoje: “Não se ensina Ecologia nas escolas brasileiras embora haja uma lei que a tornou matéria obrigatória. Enquanto não se formar a criançada na direção certa, o futuro da natureza do Brasil continuará ameaçado”.
“Enquanto não se formar a criançada na direção certa, o futuro da natureza do Brasil continuará ameaçado”.
Augusto Ruschi

André Ruschi. Mais uma geração a serviço da natureza.
André Ruschi vem dando continuidade à obra de seu pai, pesquisando e elaborando teorias e metodologias sobre Educação Ambiental com crianças, projeto desenvolvido pela Estação Biologia Marinha Ruschi (instituição de pesquisas criada por Ruschi em 1970). No trabalho de André está a essência do trabalho de Augusto Ruschi: um profundo amor pela natureza, a pesquisa desenvolvida no campo e a necessidade de contribuir para a mudança indispensável à sobrevivência da vida no planeta.
Para André Ruschi, este é o momento da mudança. Pela primeira vez temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida do planeta. Por isso, as pessoas estão se reunindo para decidir o quer fazer em relação à questão ambiental. O momento do fim está se aproximando com velocidade. Existem vários fins previstos: vão acabar as matérias primas, os adubos químicos, os combustíveis fósseis e as reservas naturais.
Convivemos com a loucura nuclear, o envenenamento do ambiente, a contaminação do lixo, a fome desesperadora, devorando o próprio sistema social da humanidade. O mundo está entrando em convulsão. Daí a importância de mudarmos a relação do homem com o seu meio ambiente, através do trabalho com as crianças, que são a renovação da vida humana e do planeta.
Em 1987, André escreveu para o deputado constituinte Fábio Feldmann a proposta de Capítulo de Meio Ambiente da constituição Federal, Art. 225, que veio a ser aprovada e promulgada em 1988. Em 2000, 2001 e 2002, nas inúmeras participações nas plenárias Nacionais de Saúde, apresentou as propostas de aprovação de inclusão no SUS das terapias alternativas: fitoterapia, homeopatia, massoterapia, acupuntura, entre várias outras aprovadas a nível nacional.
Augusto e André Ruschi são referências para todos aqueles que se propõem a contribuir para a revolução cultural que está por acontecer e que poderá evitar o colapso da vida na Terra, através de uma nova ética ecológica construída a partir da Educação Ambiental.
A história, as idéias e a filosofia de Augusto Ruschi são oportunamente lembradas como um compromisso na alma daqueles que compreenderam o espírito de toda a sua luta.
“O número de homens na terra não será determinado pelas leis do homem, mas sim pelas leis da natureza”.
Augusto Ruschi



A incrível história do dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos
(Paulo Tatit)

Na América do Sul tem um pais chamado Brasil onde acontecem
coisas incríveis e nos vamos contar como é que o naturalista
Augusto Ruschi se tratou da doença terrível que ele pegou dos
sapos venenosos.

Dr. Augusto Ruschi, o naturalista e os sapos venenosos.

Ele era naturalista porque gostava da natureza, estudava a
natureza, entendia os bichos, as matas, as formigas, os
passarinhos... e defendia a natureza!
Não deixava ninguém derrubar árvores, queimar florestas, poluir
rios, matar e arrancar a pele dos animais, não deixava.

Dr. Augusto Ruschi, mais vale um pássaro voando que dois na mão.

Mas antes de contar onde, como e porque os sapos venenosos
envenenaram o Dr. Ruschi, quero vem quem adivinha qual o
bicho que ele mais gostava. Dou-lhe uma, ... dou-lhe duas... dou-lhe três... o beija-flor!
Beija-flor das fadas; vermelho; saíra; besouro; pardo; d'água; do
mato; de penacho; comum; em geral.

Mas um dia, ... um dia ele estava sozinho na floresta e vieram os
sapos, os sapos venenosos! Primeiro ele parou e viu aqueles sapos
escondidos... ai ele falou:
- "Que sapos bonitos, vou estudar estes sapos" e levou alguns
sapos para examinar melhor na casa dele! ih! Mas ele não sabia
que aquele tipo de sapo quando ficava nervoso, irritado, soltava
um veneno terrível que podia ser mortal!

Cuidado Ruschi! Chiii, agora ele estava envenenado!

Dr. Augusto Ruschi, o naturalista, envenenado!

Ai, ai, ai.

Tentou os hospitais, as farmácias e drogarias, consultou médicos,
falou com cientistas, especialistas, tomou remédio, fez dieta, fez
de tudo, mas nada, nada, nada adiantava.

E o Dr. Augusto Ruschi, o naturalista, envenenado...

Nesses casos assim tão graves, só se alguém tiver uma grande
idéia e pensar uma coisa diferente, e pensar o que pouca gente
pensa...

E foi assim que um poeta lá do Rio, pediu ao Presidente do
Brasil, pra falar com o cacique dos índios (é claro, o cacique dos
índios!)

E veio o cacique Raoni
E veio o pajé Sapaim

Trouxeram as ervas lá do alto Xingu
Umas ervas estranhas pra chuchu
E disseram: "Viemos curar professor amigo do índio e dos
bichos".

E disseram e fizeram a pajelança. Medicina de índio, pajelança.

Fumaram cigarros, deram banho de ervas, esfregaram as mãos,
fizeram massagem... retiraram o veneno... curaram!

E todo mundo viu no jornal e TV, todo mundo acompanhou pelas
fotografias.
A gente via e ele lia ao lado dos dois amigos: Raoni, Sapaim.

E o Dr. Ruschi, o naturalista pôde então concluir o seu trabalho;
feliz ele foi atras de uns beija-flores que faltavam pra completar
seu livro: BEIJA-FLOR de papo branco, da mata virgem, de
topete, de colarinho da cordilheira, grande, Brasil.

Foto tirada em meados de Maio de 2008 - Antigo Matadouro - Rio Claro - SP.