segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Anu-preto - Smooth-billed Ani (Crotophaga ani)


Esse Anu estava perto do Ribeirão Claro, atrás do bairro Conduta, próximo ao horto florestal, num campo aberto com gados. Eram um grupo de mais ou menos 15 indivíduos e tinha um grande ninho perto. Eles estavam pulando de galho em galho, pulavam no chão em busca de vermes e carrapatos. Nesse dia foi muito engraçado, pois eu estava em busca do pássaro Nei-nei quando aproveitei para tirar fotos dos anus, fiquei bem abaixado no mato e peguei uma bela carga de carrapatinhos, fiquei todo mordido e coçando por uma semana. Reparem que ele estava cruzando os dedos, parecendo fazer figa para manter-me afastado. Final de Maio de 2008 em uma tarde ensolarada.

Fonte: Aves do Pantanal:
Uma das aves mais conhecidas em todo o Brasil, aproveitou-se das alterações de ambiente decorrentes das atividades agropecuárias para expandir-se. Habitante original de campos e áreas abertas, o desmatamento e plantio de pastos ou lavouras criou ambientes logo colonizados pelo anu. Onde não é perseguido, estabelece-se nos parques e áreas gramadas de cidades, mesmo nas maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Vive em grupos de até 20 indivíduos, os quais patrulham constantemente um território de alimentação e reprodução, evitando a entrada de outros anus. Caçam insetos, aranhas e pequenos vertebrados no chão ou no meio de arbustos. Deslocam-se em conjunto na vegetação ou caminhando no solo. Qualquer presa espantada pelo bando é logo capturada pela ave mais próxima. Aproveitam-se do gado pastando e levantando presas, caminhando ao lado de reses ou, algumas vezes, montando sobre elas. São atraídos para os incêndios nos campos, apanhando animais moribundos. Comem, em menor escala, frutas e sementes.
Devido ao alto grau de socialização dos indivíduos, possuem uma série de chamados e pios de contato. Quando o grupo está alimentando-se, um ou mais indivíduos ficam de sentinela e dão um chamado de alarme, muito característico, longo e melodioso. O bando, imediatamente, fica alerta e voa para um arbusto ou árvore, se estiver no chão.
A reprodução também é feita em um ninho comunitário, onde todas as fêmeas do bando colocam seus ovos, chocam e cuidam dos filhotes. O ninho é uma maçaroca de galhos e folhas, com formato de cone invertido ou uma bola. Durante o choco, o grupo continua acrescentando material no ninho. Os ovos são verde azulados, com raias brancas. Os primeiros a serem postos ficam no fundo do ninho e não chegam a chocar, por não receberem aquecimento. A postura pode chegar a 20 ovos, com o choco durando 15 dias. Os filhotes nascem sem penas, mas voam a partir de 7 dias de vida em uma emergência. Cada ninhada sai em menos de um mês após a postura e, muitas vezes, o bando recomeça a reprodução logo depois.
Graças a essa estratégia, são muito prolíficos e aumentam rapidamente seus números. No Pantanal, a introdução do gado e sua expansão em meados do século XIX auxiliou no aumento de sua população. Na RPPN, a ausência do gado permite observar essa espécie nas condições existentes antes do pastoreio. Ocupa todos os ambientes abertos da reserva, desde as praias dos rios Cuiabá e São Lourenço até os campos da parte central. Acompanha capivaras pastando, hábito que adaptou ao gado com a chegada da colonização de base européia.
À distância, sua plumagem toda negra não chama muita atenção. O bico é poderoso, negro, com uma crista na parte superior do mesmo. Os filhotes saem do ninho como os adultos, sendo menores em tamanho. O vôo é lento e desajeitado, com a longa cauda destacando-se. Executa uma série de batidas de asas, entremeadas de planeios.