sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

AVE PARASITA!

Está vendo essa belezinha ai? Linda não? É um filhote de "Chopim" ou "Vira-bosta" (Molothrus bonariensis).
Ele está bem confortável no ninho de "Tico-tico"!!!(Zonotrichia capensis). Sabe o que a mãe biológica dele fez? Botou o ovo dela no ninho do tico-tico e foi embora. O tico-tico é menor que o vira-bosta, então os seus filhotes muitas vezes são jogados para fora do ninho ou mortos pisoteados pelo maior. O vira-bosta não constrói ninho, usa o ninho de aproximadamente 55 espécies de pássaros. Os filhotes são tratados por suas mães adotivas como se fossem delas, muitas vezes trabalham em dobro, pois muitas espécies de pássaros hospedeiros são menores e precisam correr muito para manter o papinho do chopim cheio até ele poder se virar sozinho.
Essa espécie talvez é a mais odiada por muitos ornitólogos, pois acreditam que eles desequilibram o meio. Se você tem um amigo folgado, chame-o de chopim! Brincadeira, mas na verdade esse nome é muito usado por pessoas como um leve xingamento. Dizem que o chopim chupa os ovos dos outros pássaros para dar lugar aos seus. Outras aves também adotaram o método de parasitismo, como o "Saci"(Tapera naevia) e o cuco europeu.

ELE PODE ATÉ SER ODIADO, MAS É BONITINHO!

Fotografado em Novembro de 2009 em Rio Claro.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"QUERO-QUEROS" - O CICLO NÃO TERMINADO!

casalQuero-queroQuero-queroQuero-queroQuero-queroquero-queroQuero-quero Quero-queroQuero-queroQuero-queroQuero-queroQuero-quero

video

O que me deixa muito triste é presenciar um ciclo inacabo.


No início de Novembro, encontrei um casal de Quero-queros em pleno ritual de acasalamento, procurei então registrar esse ciclo maravilhoso da vida.


  • O encontro... No primeiro encontro a agressividade do casal era imensa, eles estavam preparando o ninho e não quiseram conversa comigo. Avançaram sobre a minha cabeça sem piedade, apresentavam suas esporas abaixando as asas que relavam no chão, na verdade as esporas eram inofensivas, mas assusta a quem não conhece. Achei fantástico e procurei ficar pouco tempo para não atrapalhar o momento tão sagrado deles.
  • A aproximação... Uns dias após o meu primeiro encontro o ninho estava formado e com 3 ovos. No entanto, o meu receio era o local onde eles fizeram o ninho, em ruínas de uma chácara demolida e muitos pedreiros estavam trabalhando no local, derrubando tudo, caminhões entrando e saindo a toda hora. Então conversei com os trabalhadores, expliquei a situação e alguns até me ajudaram cercando o ninho com pedras e paus, para que nenhum caminhão ou pessoa passasse por cima, pois os Quero-queros fazem ninhos no chão, ficando muito vulnerável.

Logo, o meu diálogo com as aves foi ficando amigável, elas já estavam acostumadas comigo e não se importavam com a minha presença, digo, não me atacavam mais e nem berravam tanto.

  • A técnica de disfarce... No vídeo eu mostro uma técnica usada pelos Quero-queros para atrair os predadores para o lado oposto do ninho. Eles abaixam como se estivessem no ninho enganando o possível predador que caminha até eles se distanciando do ninho. Muitas vezes até fingem machucados. Ela já estava mais acostumada, então até comia uns bichinhos perto de mim.
  • A desconfiança... Eu armei a câmera em um tripé e fiquei filmando para ver se a mamãe entrava no ninho, mas a desconfiança dela era tanta que ela apenas olhava para os ovos, caminha levantando e abaixando rapidamente a cabeça, parecendo dizer: - O que será isso? O que ele tá querendo com esse troço esquisito na minha frente?
  • O tesouro escondido... 27 dias após o meu primeiro contato com as aves, nasceram os 3 lindos tesouros que logo caminhavam pelo terreno, até que um dia um caminhão passou por cima de um. O segundo foi atacado por um gavião dias depois. Restou um filhote apenas, então fotografei-o e observei por uns dias o seu crescimento, o amor e proteção que os seus pais lhe davam.
  • Um instinto natural... O filhote que sobrou era muito vulnerável, mas já nasceu com o instinto natural maravilhoso. Ele abaixava em um local e ficava estático, quase imperceptível. O único problema é que se você não conhecer direito esses hábitos, pode pisar em cima de um.

Depois de todo o meu esforço para manter as pessoas afastadas deles, conversando também com as crianças do bairro, infelizmente o último filhote também desapareceu, agora não sei o que aconteceu, disseram que um garoto o matou, mas acredito que não. Logo depois os pais também foram embora. Um ciclo não terminado, infelizmente.

Rio Claro, Novembro/Dezembro de 2009.

sábado, 5 de dezembro de 2009

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS V.1.3

Quero agradecer a minha nova amiga Rita Borges e o seu marido pela participação especial no blog! Tudo de bom sempre!

Bem-te-vi-rajado
AVE:"Bem-te-vi-rajado","Streaked Flycatcher"(Myiodynastes maculatus)
LOCAl: Coimbra - Minas Gerais-MG
COLABORADOR: Rita Borges - MG
CÂMERA: Sony DSC-H50
TIRADA EM: 16/11/2009 09:00
FLASH: ?/ ISO: 160
COMPRIMENTO FOCAL:78mm
ABERTURA DO DIAFRAGMA:F/4,5
TEMPO DE EXPOSIÇÃO/VEL. OBTURADOR:1/125 SEG.
MEDIÇÃO: PADRÃO
COMPENSAÇÃO DA EXPOSIÇÃO:0 ETAPA

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"João-Porca","Capitão-da-porcaria", "João-do-riacho", "Presidente-da-porcaria", "Tiriri", "Sharp-tailed Streamcreeper"(Lochmias nematura)

Antes de falar um pouco sobre esse pássaro, quero poder passar um sentimento que tenho desse local.
Quando conheci esse riacho, não sabia nem o nome, depois de um tempo descobri que se chamava "riacho ferradura", pois existe uma antiga ponte de tijolos formando um belo arco. Esse riacho possui a água mais límpida e flamejante que eu já vi. Além desse tesouro, possui um equilíbrio de pedras e a areia fina, tão fina que parece escapar pelas mãos. A vegetação intocada, onde alguns pássaros, roedores, caranguejos, lontras, cobras e outras criaturas sutilmente aparecem para presentear nossos olhares. Infelizmente, uma grande empresa percebeu o poder desse riacho e começou extrair areia dele, infelizmente.

Na minha quarta ida ao riacho, pensei apenas em explorar o local, estava um dia chuvoso e difícil de fotografar. Eu e meu irmão "Carlinhos" resolvemos caminhar para ver onde o riacho nos levava. Caminhamos por mais de 8 quilômetros por água e nem conseguimos sair da mata densa. resolvemos então voltar, pois o dia estava quase sem sol e já estava escurecendo, foi maravilhoso.

Consegui fotografar apenas um pássaro e a foto ficou ruím, valeu o dia, mas voltarei para tentar outras!

O João-porca!



joão-porca O João-porca é um passeriforme que mede aproximadamente 15 cm, vive geralmente nas vegetações pantanosas, no chão ou nas proximidades, em florestas úmidas, montanhosas e capoeiras, mas sempre na vegetação densa. Alimenta-se de insetos, minhocas e outros vermes, revirando as folhas mortas com o bico, no meio da lama, até mesmo em chiqueiros próximos aos riachos, por isso recebeu alguns nomes populares como "Capitão-da-porcaria".

joão-porca Podendo ser raro e localmente comum, vive solítário sempre à beira de riachos e igarapés.
Faz ninho à sombra de barrancos, cavando longas galerias, o ninho esférico construído com raízes e outros pedaços de plantas. Põe 2 ovos brancos.

Fotografado em Novembro de 2009, Corumbataí/Analândia.

A qualidade do vídeo foi comprometida devido ao recurso de conversão do blog.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Frango-d'água-comum", "Galinha-d'água", "Jaçanã-galo", "Common Moorhen" (Gallinula chloropus)

Frango-d'água-comum A foto acima é do casal com filhotes. Estavam nadando juntos no pacífico lago, comendo invertebrados, pequenos vertebrados e miolos de pães que os moradores locais jogam para os ganços. São muito comuns em quase todo o Brasil, exceto na Amazônia e menos comum no Pantanal, apesar do favorecimento biológico local. Essa espécie povoa quase todo o planeta.
Frango-d'água-comum Aparentemente tem um voo meio desengonçado, correndo pela vegetação aquática e batendo as asas, mas é uma excelente voadora. A foto acima mostra a ave em voo com um pedaço de pão no bico. No período reprodutivo, constróem o ninho na vegetação aquática e botam de 4 à 5 ovos. Muitas vezes são duas fêmeas para um macho ou vice-versa. O casal cuida dos filhotes e ficam mais agressivos nesse período. Em outras épocas são sociáveis. Muitas vezes as fêmeas botam ovos em outros ninhos de galinholas deixando todo o trabalho para os pais adotivos.

Frango-d'água-comum
Frango-d'água-comum Fotografados em Outubro de 2009, Águas de São Pedro.




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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A PRIMAVERA, O AMOR...

beija-flor A mamãe beija-flor aquece os ovinhos...

ninhoAo lado, o ninho de sanhaço-do-mamoeiro com dois belos ovos.

periquitos-de-encontro-amarelo O casal de periquitos-de encontro-amarelo se acariciam...

tuinsOs tuins procuram um buraco no galho podre.

saí-andorinha O macho da saí-andorinha aguarda a chegada da fêmea...

saí-andorinha A Fêmea recolhe fios da crina do cavalo para confeccionar o seu ninho...

saí-andorinha O macho da lavadeira-mascarada, fica todo imponente ao lado da sua adorável amada no ninho.

lavadeiras-mascaradas A Primavera chegou e os passarinhos começaram a fazer os ninhos, as mudanças nos comportamentos acontecem como mágica, algumas espécies mudam de cores, os rituais de acasalamento nos ensina o verdadeiro amor e o respeito que devemos ter, pois é tudo puro e perfeito. Eu sinto no meu coração o desejo de sentir o que eles sentem nesses momentos mágicos e muitas vezes consigo. Aprendo constantemente com a natureza, com os pássaros, bichos e plantas, essa troca é o que mantém vivo.
Sem os nossos dedos, tudo continua simples e bonito como sempre foi.

Fotografados no início da Primavera de 2009, no sítio Araquá-mirim, no Farol 2 e no cachoeirinha.






sexta-feira, 6 de novembro de 2009

AS GARÇAS E OS SOCÓS VOLTARAM...

socóFilhotinho de Socó-dorminhoco, me olhando assustado...
ninhoNinho de garça-vaqueira com 3 ovos azuis...
garçaFilhotes de garças-vaqueiras com medo...
socósSocó-dorminhoco(Savacu) adulto curioso...
socósEle avisa a companheira... -OLHE!!! UM HUMANO CHEGANDO!!!
garçasEntão todos saem em revoada...
garças
garças,
garçasMas algumas voltaram...
garças
garçaE outras não...

A Primavera é isso, então temos que ser cuidadosos, temos que ser rápidos, pois é a época da procriação e não podemos assustá-los, apenas observá-los com amor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"NOVAS CAPTURAS"


Depois de muito tempo tentando conseguir uma foto boa desse pássaro, a mãe natureza resolveu me dar esse presente em dose dupla. O casal de arapaçus-do-cerrado!!! Eles fizeram um ninho no quintal da casa da minha querida irmã e meu cunhado irmão. Foi incrível, mútua hipnose!!! Ficamos por alguns minutos parados, olhando um para o outro, sem medo, pois estávamos ligados no amor naquele momento. O pai, todo feliz pelos filhotes e a mãe toda cuidadosa. O ninho era fundo e estava impossível ver os filhotes, acredito que eram dois ou três. Já davam aquela risadinha característica dos arapaçus.
Arapaçu-do-cerradoMACHO FELIZ!
Arapaçu-do-cerradoArapaçu-do-cerradoArapaçu-do-cerrado
Arapaçu-do-cerradoMÃE CUIDADOSA
Arapaçu-do-cerradoA lagartixa não teve muita sorte, porém os filhotes fizeram um banquete!
O casal dividiu a tarefa de levar alimentos para os filhotes o dia inteiro, levaram besouros, lagartixa, vermes, borboletas... LINDOS!!!! VIVA A MÃE NATUREZA!!!

Fotografados em Outubro de 2009, Águas de São Pedro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Canário-da-mata", "Pula-pula-amarelo", "Flavescent Warbler" (Basileuterus flaveolus)

canario-do-mato
Apesar do seu tamanho, o "Canário-do-mato" tem um canto bem volumoso e agudo. É comum estar caminhando pela mata ciliar, matas secas e cerradões e ouvir esse canto, porém o canário é pequeno e se camufla muito bem entre as folhagens dificultando a visão do observador. Eu consegui fazer apenas uma foto e não ficou muito boa porque ele não parava em nenhum instante. Utilizei uma gravação de canto para atraí-lo, foi muito rápido, logo ele estava pertinho de mim cantado e abrindo a cauda. Ficou bem nervoso com o som que eu emitia. Ficava pulando de galho em galho, daí surgiu o outro nome, o "Pula-pula-amarelo".
Eles costumam ficar nas partes baixas dos arbustos, nas galhadas comendo insetos e larvas. Também seguem as formigas de correição para capturar invertebrados fugindo delas.
Presente em boa parte do Brasil, mas no Estado de São Paulo é mais frequente. Canta o ano todo, com mais intensidade no período reprodutivo entre Julho e Dezembro.

Fotografado em Outubro de 2009, Sítio Farol 2, Rio Claro/Ipeúna.